Enterocolite Necrotizante: Conduta no RNPT Instável

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido pré-termo com 15 dias de vida (idade gestacional de 27 semanas e peso de nascimento de 980 g) iniciou dieta enteral mínima com fórmula láctea há 3 dias, porém evoluiu com distensão abdominal associada à hipoatividade. Foi realizada pausa na dieta e mantida sonda orogástrica aberta com débito bilioso. Evoluiu há 6 horas com deterioração do estado geral, piora da distensão, hiperemia de parede abdominal e enterorragia. No momento, encontra-se instável do ponto de vista hemodinâmico com uso de drogas vasoativas e labilidade durante a manipulação no leito. As imagens a seguir mostram os achados de radiografia e o exame físico: Considerando-se o quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta em relação ao diagnóstico e a conduta recomendada nesse momento.

Alternativas

  1. A) Íleo meconeal com perfuração / Laparotomia de emergência.
  2. B) Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (MIS-C) por covid-19 / Laparotomia de emergência.
  3. C) Volvo de intestino médio / Trânsito intestinal e cirurgia eletiva de correção.
  4. D) Enterocolite necrotizante / Drenagem da cavidade abdominal na beira do leito e cirurgia após estabilização clínica do paciente.

Pérola Clínica

RNPT + Distensão + Instabilidade + Hiperemia → ECN Bell III (Drenagem se instável).

Resumo-Chave

Na enterocolite necrotizante avançada (Bell III) com instabilidade hemodinâmica, a drenagem peritoneal à beira do leito é uma medida de salvamento inicial antes da estabilização para cirurgia definitiva.

Contexto Educacional

A enterocolite necrotizante (ECN) é a emergência gastrointestinal mais comum e grave em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, afetando principalmente prematuros de extremo baixo peso após o início da dieta enteral. A fisiopatologia envolve isquemia mucosa, proliferação bacteriana e resposta inflamatória sistêmica exacerbada. O manejo clínico inicial inclui pausa alimentar, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A indicação cirúrgica surge na vigência de perfuração ou falha do tratamento clínico. Em pacientes criticamente instáveis, a drenagem peritoneal à beira do leito permite a saída de gás e fezes sob pressão, melhorando a mecânica ventilatória e a perfusão, permitindo que o paciente seja estabilizado para uma intervenção definitiva posterior.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o estágio III da Classificação de Bell?

O estágio III (ECN avançada) é caracterizado por instabilidade clínica grave, incluindo hipotensão, acidose metabólica, coagulopatia e sinais de peritonite (como hiperemia de parede abdominal). O estágio IIIA apresenta intestino intacto, enquanto o IIIB apresenta pneumoperitônio (perfuração).

Quando está indicada a drenagem peritoneal em vez da laparotomia?

A drenagem peritoneal é indicada principalmente em recém-nascidos de muito baixo peso (<1000g) que apresentam perfuração intestinal (pneumoperitônio) mas estão hemodinamicamente instáveis demais para tolerar uma laparotomia formal. Serve como medida temporizadora ou, em alguns casos, tratamento definitivo.

Quais são os sinais radiológicos clássicos da ECN?

Os principais achados são a pneumatose intestinal (gás na parede do intestino, sinal patognomônico), gás no sistema venoso portal e o pneumoperitônio (sinal de perfuração). O edema de alças e a alça fixa também são sinais de alerta importantes no acompanhamento radiológico.

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