Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2022
Recém-nascido prematuro, 29 semanas, masculino, internado em leito de terapia intensiva neonatal, sedado, em ventilação mecânica, alimentando por fórmula hidrolisada por via enteral, no 9º dia de vida apresenta distensão abdominal, vômitos, enterorragia, bradicardia e apneia. Abdome distendido, tenso, doloroso a palpação difusa, mas sem sinais de irritação peritoneal. São iniciadas medidas para sepse neonatal e realizado radiografias de abdome abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:
Prematuro + distensão abdominal + enterorragia + instabilidade = Enterocolite Necrosante (ECN) até prova em contrário.
A enterocolite necrosante é uma emergência gastrointestinal grave em prematuros, caracterizada por isquemia e necrose intestinal. A tríade clássica inclui distensão abdominal, resíduos gástricos biliosos/vômitos e enterorragia, frequentemente associada a sinais sistêmicos de sepse.
A enterocolite necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais devastadoras em recém-nascidos, especialmente prematuros. Sua incidência é inversamente proporcional à idade gestacional. O reconhecimento precoce é vital para reduzir a morbimortalidade, sendo um tema recorrente em provas de residência e na prática clínica neonatal. A fisiopatologia envolve uma combinação de imaturidade intestinal, isquemia, disbiose e resposta inflamatória exacerbada. Clinicamente, a ECN manifesta-se com sintomas gastrointestinais (distensão, vômitos, resíduos gástricos, enterorragia) e sistêmicos (apneia, bradicardia, letargia, instabilidade térmica), que podem mimetizar sepse. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a pneumatose intestinal sendo um achado patognomônico. O manejo inicial inclui suspensão da dieta enteral, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A cirurgia é indicada em casos de perfuração intestinal ou falha do tratamento clínico. A prevenção foca na alimentação enteral gradual, uso de leite materno e probióticos selecionados, visando proteger a mucosa intestinal imatura.
Os sinais incluem distensão abdominal, vômitos (especialmente biliosos), enterorragia, letargia, bradicardia, apneia e instabilidade térmica, refletindo tanto a lesão intestinal quanto a sepse sistêmica associada.
A radiografia abdominal é fundamental para o diagnóstico, podendo mostrar pneumatose intestinal (gás na parede intestinal), gás na veia porta e, em casos avançados, pneumoperitônio (sinal de perfuração intestinal), que exige intervenção cirúrgica.
Os principais fatores de risco são prematuridade, baixo peso ao nascer, alimentação enteral precoce ou rápida, asfixia perinatal, uso de cateter umbilical e infecções, que contribuem para a imaturidade e vulnerabilidade intestinal.
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