Enterocolite Necrosante: Diagnóstico e Sinais Radiológicos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Lactente, nasceu de parto cesáreo de urgência, com 34 semanas, devido à restrição de crescimento intrauterino (peso ao nascimento 1.750 9) e doença hipertensiva específica da gestação. Não houve intercorrências no parto e o Apgar foi 3 e 8. No terceiro dia de vida, evoluiu com distensão abdominal associada a resíduo bilioso em sonda, hipoatividade e dor à palpação de abdome. Radiografia simples de abdome: distensão difusa de alças e imagens radiolucentes bolhosas na parede das alças no flanco direito e mesogástrio. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico é enterocolite necrosante, confirmado pela presença de distensão intestinal com pneumatose na radiografia.
  2. B) Está descartada enterocolite necrosante, uma vez que o paciente tem apenas 3 dias de vida.
  3. C) Existe apenas suspeita de enterocolite necrosante, necessitando maior observação clínica para decidir sobre o início do tratamento.
  4. D) O achado de bolhas radiolucentes em parede intestinal é suficiente para caracterizar este paciente como portador de enterocolite necrosante estádio |.

Pérola Clínica

Prematuro com distensão abdominal + resíduo bilioso + pneumatose intestinal → Enterocolite Necrosante.

Resumo-Chave

A enterocolite necrosante é uma emergência neonatal grave, especialmente em prematuros. A presença de pneumatose intestinal na radiografia é um sinal patognomônico, indicando gás na parede intestinal devido à isquemia e invasão bacteriana, confirmando o diagnóstico.

Contexto Educacional

A enterocolite necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais graves em neonatos, com maior incidência em prematuros e recém-nascidos de baixo peso. Caracteriza-se por necrose isquêmica do intestino, levando a inflamação e, em casos graves, perfuração. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade associada, sendo crucial o reconhecimento precoce para intervenção adequada. A fisiopatologia da ECN envolve uma interação complexa entre imaturidade intestinal, disbiose microbiana e isquemia. O diagnóstico é clínico e radiológico. Sinais como distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso ou hemático, intolerância alimentar, letargia e instabilidade térmica devem levantar a suspeita. A radiografia simples de abdome é fundamental, revelando distensão de alças, edema de parede e, classicamente, pneumatose intestinal, que é patognomônica. O tratamento da ECN varia conforme o estadiamento de Bell, indo desde medidas de suporte (jejum, descompressão gástrica, antibióticos de amplo espectro) até intervenção cirúrgica em casos de perfuração ou necrose extensa. O prognóstico depende da extensão da doença e da rapidez do diagnóstico e tratamento. A prevenção foca na otimização da nutrição enteral, uso de leite materno e manejo cuidadoso de fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para enterocolite necrosante em neonatos?

Os principais fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, restrição de crescimento intrauterino e cardiopatias congênitas, que predispõem à isquemia intestinal.

Quais achados radiográficos confirmam o diagnóstico de enterocolite necrosante?

A presença de pneumatose intestinal (gás na parede do intestino) é o achado radiográfico mais específico. Outros sinais incluem distensão de alças, edema de parede e, em casos avançados, gás na veia porta ou pneumoperitônio.

Quando se deve suspeitar de enterocolite necrosante em um lactente?

Deve-se suspeitar de ECN em lactentes, especialmente prematuros, que apresentam distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso ou hemático, letargia, instabilidade térmica e apneia, exigindo avaliação imediata.

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