Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023
Recém nascido de 28 semanas, em unidade de terapia neonatal, desenvolve no quinto dia de vida distensão abdominal e queda do estado geral, sendo necessário suporte ventilatório mecânico e passagem de sonda nasogástrica, que apresenta alto débito. Evolui com acidose metabólica e bacteremia. Qual é o achado radiológico que confirma a principal hipótese diagnóstica?
RN prematuro + distensão abdominal + sepse-like → NEC. Achado radiológico confirmatório = pneumatose intestinal.
O quadro clínico de um recém-nascido prematuro com distensão abdominal, sinais de sepse e acidose metabólica é altamente sugestivo de enterocolite necrosante (NEC). A pneumatose intestinal, que é a presença de gás na parede do intestino, é o achado radiológico patognomônico que confirma o diagnóstico.
A enterocolite necrosante (NEC) é uma das emergências gastrointestinais mais comuns e devastadoras em recém-nascidos prematuros, com alta morbidade e mortalidade. Caracteriza-se por necrose isquêmica do intestino, que pode variar de inflamação leve a perfuração intestinal e sepse. A epidemiologia mostra que a incidência é inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer, sendo mais comum em bebês com menos de 1500g. A fisiopatologia da NEC é multifatorial, envolvendo imaturidade intestinal, disbiose da microbiota, isquemia e inflamação. Clinicamente, o quadro se manifesta com distensão abdominal, resíduo gástrico, vômitos, letargia e sinais sistêmicos de sepse, como apneia, bradicardia e acidose metabólica. O diagnóstico é primariamente clínico e radiológico. A radiografia de abdome é crucial, e o achado de pneumatose intestinal (gás na parede do intestino) é patognomônico, confirmando a necrose. Outros achados incluem alças dilatadas, ascite e, em casos avançados, pneumoperitônio (perfuração). O tratamento da NEC é inicialmente clínico, com suspensão da dieta enteral, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A cirurgia é indicada em casos de perfuração intestinal, falha do tratamento clínico ou deterioração progressiva. O prognóstico varia, mas a NEC pode levar a complicações a longo prazo, como síndrome do intestino curto, estenoses intestinais e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, tornando o manejo precoce e preciso essencial.
Os sinais incluem distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso ou hemático, vômitos, letargia, apneia, bradicardia, instabilidade térmica, acidose metabólica e choque.
Pneumatose intestinal é a presença de gás na parede do intestino, resultado da invasão bacteriana e necrose tecidual. É o sinal radiológico mais específico de enterocolite necrosante.
Prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, cardiopatias congênitas, cateterismo umbilical e alimentação enteral precoce são os principais fatores de risco.
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