UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Entre as doenças graves adquiridas do trato gastrintestinal no período neonatal, a enterocolite necrosante (ECN) é a mais comum. Com relação a esta patologia, é CORRETO afirmar:
ECN afeta principalmente prematuros, mas pode ocorrer em RN a termo com fatores de risco (asfixia, cardiopatia), com manifestações GI e sistêmicas.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é a doença gastrointestinal adquirida mais comum e grave em neonatos. Embora classicamente associada à prematuridade e imaturidade intestinal, ela também pode afetar recém-nascidos a termo, especialmente aqueles com condições subjacentes como asfixia perinatal ou cardiopatias congênitas, variando a incidência e a letalidade entre esses grupos.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais graves e comuns no período neonatal, caracterizada por necrose isquêmica do intestino. Embora seja predominantemente uma doença de recém-nascidos prematuros, devido à imaturidade de múltiplos sistemas (imunológico, vascular e gastrointestinal), é crucial reconhecer que a ECN também pode afetar recém-nascidos a termo. Nesses casos, a doença é frequentemente associada a eventos hipóxico-isquêmicos, cardiopatias congênitas ou outras condições que comprometem o fluxo sanguíneo intestinal. A patogenia da ECN é multifatorial, envolvendo a interação entre a imaturidade intestinal, a disbiose da microbiota intestinal e a alimentação enteral. A lesão inicial é frequentemente isquêmica, levando à quebra da barreira da mucosa, translocação bacteriana e uma resposta inflamatória exacerbada. O quadro clínico não se restringe ao trato gastrointestinal, apresentando manifestações sistêmicas como apneia, bradicardia, letargia, instabilidade térmica e sinais de sepse, o que exige alta suspeição clínica. O diagnóstico da ECN é baseado em achados clínicos e radiológicos. A radiografia abdominal é fundamental, buscando sinais como distensão de alças, níveis hidroaéreos e, classicamente, a pneumatose intestinal. O tratamento varia de medidas clínicas de suporte (suspensão da alimentação enteral, antibióticos, descompressão gástrica) a intervenção cirúrgica em casos de perfuração intestinal ou deterioração clínica. O prognóstico depende da extensão da doença e da presença de complicações, sendo uma condição com alta morbimortalidade.
Os principais fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, cardiopatias congênitas, policitemia, cateterismo umbilical e alimentação enteral precoce ou rápida em prematuros. A imaturidade intestinal é um fator patogênico central.
As manifestações clínicas da ECN podem ser gastrointestinais (distensão abdominal, resíduos gástricos, vômitos, enterorragia) e sistêmicas (apneia, bradicardia, letargia, instabilidade térmica, acidose metabólica, sepse e choque).
O achado radiológico mais característico e patognomônico da ECN é a pneumatose intestinal, que se refere à presença de gás na parede do intestino. Outros achados incluem alças intestinais dilatadas, níveis hidroaéreos e, em casos avançados, gás no sistema porta ou pneumoperitônio.
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