UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Neonato prematuro de 33 semanas com 9 dias de vida, vem apresentando distensão abdominal progressiva, resíduo bilioso na sonda orogástrica. Nas últimas 24h, com edema e hiperemia da parede abdominal. Realizou Rx de abdome agudo, que demonstrou extensa área de pneumatose intestinal, gás na veia porta, pequena lâmina de ar sobre o fígado. Baseando-se no quadro clínico de enterocolite necrosante deste neonato, qual dos achados tem indicação absoluta de intervenção cirúrgica?
Pneumoperitônio (ar livre) = Indicação cirúrgica absoluta na Enterocolite Necrosante.
Na Enterocolite Necrosante (ECN), a perfuração intestinal (pneumoperitônio) é a única indicação cirúrgica absoluta consensual; outros sinais indicam gravidade, mas permitem manejo conservador inicial.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é a emergência cirúrgica gastrointestinal mais comum no período neonatal, afetando principalmente prematuros de muito baixo peso. A fisiopatologia envolve isquemia mucosa, colonização bacteriana anômala e resposta inflamatória sistêmica. A Classificação de Bell é utilizada para estadiar a doença e guiar o tratamento. O manejo inicial é clínico (jejum, descompressão gástrica, antibióticos), reservando-se a laparotomia ou drenagem peritoneal para casos de Bell IIIb (perfuração comprovada).
A única indicação absoluta e universalmente aceita é a evidência de perfuração intestinal, manifestada como pneumoperitônio no raio-X de abdome (sinal da dupla parede ou ar livre subdiafragmático). Outras indicações relativas incluem a deterioração clínica persistente apesar do tratamento clínico, massa abdominal palpável ou eritema de parede abdominal sugerindo peritonite.
A pneumatose intestinal é a presença de gás dentro da parede do intestino, produzida por bactérias produtoras de gás que invadem a mucosa lesada. É o sinal radiológico patognomônico da Enterocolite Necrosante (Bell II), mas por si só não indica necessidade de cirurgia, apenas confirma o diagnóstico e a necessidade de tratamento clínico intensivo.
O gás na veia porta ocorre quando o ar da pneumatose intestinal migra através do sistema venoso mesentérico até o fígado. Historicamente era visto como sinal de prognóstico sombrio, mas hoje sabe-se que muitos desses pacientes podem ser manejados com sucesso de forma conservadora, desde que não haja perfuração.
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