UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Prematuro de 33 semanas, sexo masculino, nasceu de parto normal sem intercorrências. Mãe é tabagista e usuária de cocaína. No terceiro dia de vida apresentou resíduo gástrico amarelo-esverdeado, sendo optado por manter alimentação por sonda orogástrica e observação. No quarto dia de vida apresentou distensão abdominal, hipotermia e episódio de apneia persistente, requerendo expansão volumétrica e intubação orotraqueal. Submetido à radiografia simples de abdome que evidenciou imagens radioluscentes lineares e bolhosas em paredes intestinais, além de ar no sistema porta. Baseado no relato, o diagnóstico é:
Prematuro + distensão abd + resíduo bilioso + pneumatose intestinal → Enterocolite Necrosante (ECN).
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma emergência neonatal grave, especialmente em prematuros. A tríade clínica de distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso e instabilidade sistêmica, associada a achados radiográficos como pneumatose intestinal e ar no sistema porta, é altamente sugestiva e requer intervenção imediata.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais comuns e devastadoras em neonatos, especialmente em prematuros. Caracterizada pela necrose isquêmica do intestino, sua incidência é inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer, sendo uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A fisiopatologia da ECN é multifatorial, envolvendo imaturidade intestinal, disbiose, isquemia e inflamação. O diagnóstico é clínico e radiológico. Deve-se suspeitar de ECN em prematuros com distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso, intolerância alimentar, e sinais sistêmicos como hipotermia, apneia e letargia. A radiografia simples de abdome é crucial, revelando pneumatose intestinal e, em casos mais graves, ar no sistema porta ou pneumoperitônio. O tratamento inicial é clínico, com suspensão da dieta enteral, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A intervenção cirúrgica é indicada em casos de perfuração intestinal ou deterioração clínica apesar do tratamento conservador. O prognóstico varia, mas a ECN pode levar a complicações graves como síndrome do intestino curto e atraso no desenvolvimento.
Os principais sinais incluem distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso, intolerância alimentar, hipotermia, apneia e instabilidade hemodinâmica, que podem progredir rapidamente.
A pneumatose intestinal (presença de ar na parede do intestino) e o ar no sistema porta são achados radiológicos clássicos e altamente sugestivos de ECN, indicando necrose intestinal.
Prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, cateterismo umbilical, alimentação enteral precoce ou rápida e uso de cocaína materna são fatores de risco importantes.
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