FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Prematuro nascido com 26 semanas, com 900g, com cinco semanas de vida, apresenta resíduo gástrico esverdeado de 2ml de volume e distensão abdominal. Exame físico: relevo de alças intestinais visíveis na parede abdominal, sem massa palpável e abdome pouco doloroso à palpação difusamente. Radiografia: níveis hidroaéreos e ar na parede de algumas alças intestinais, sem pneumoperitônio. Qual é a conduta indicada neste caso?
Prematuro com distensão abdominal, resíduo gástrico e pneumatose intestinal → ECN: suspender dieta, ATB IV.
O quadro clínico de um prematuro com distensão abdominal, resíduo gástrico esverdeado e achados radiográficos de pneumatose intestinal é altamente sugestivo de Enterocolite Necrosante (ECN), uma emergência pediátrica que requer suspensão imediata da dieta oral e início de antibioticoterapia parenteral.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais graves em neonatos, especialmente em prematuros, com alta morbimortalidade. Caracteriza-se por necrose isquêmica do intestino, sendo a prematuridade o principal fator de risco, juntamente com a alimentação enteral e a disbiose intestinal. A incidência é inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer. O diagnóstico da ECN é baseado na tríade de sinais clínicos (distensão abdominal, resíduos gástricos biliosos, instabilidade), achados radiográficos (pneumatose intestinal, níveis hidroaéreos) e laboratoriais (trombocitopenia, leucocitose/leucopenia, acidose metabólica). A pneumatose intestinal é o sinal radiográfico mais específico. A suspeita deve ser alta em qualquer prematuro com deterioração súbita do estado geral e sintomas abdominais. O tratamento é inicialmente clínico, com jejum entérico, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A cirurgia é reservada para casos de perfuração intestinal ou falha do tratamento clínico. O prognóstico varia, mas a ECN pode levar a complicações a longo prazo, como síndrome do intestino curto e estenoses intestinais.
Clinicamente, a ECN manifesta-se com distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso ou esverdeado, vômitos, letargia, instabilidade térmica e apneia. Radiograficamente, os achados incluem distensão de alças, níveis hidroaéreos, e o sinal patognomônico de pneumatose intestinal (ar na parede do intestino).
A conduta inicial é suspender imediatamente a dieta oral (jejum entérico), iniciar antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, descompressão gástrica com sonda orogástrica, e monitorização rigorosa do paciente, incluindo exames laboratoriais e radiografias seriadas de abdome.
A cirurgia é indicada em casos de perfuração intestinal (pneumoperitônio), deterioração clínica apesar do tratamento clínico máximo, ou evidência de necrose intestinal extensa. A laparotomia exploradora é realizada para ressecar o segmento necrótico e, se possível, realizar uma ostomia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo