FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2024
Sobre a Enterocolite Necrosante (ECN) no período neonatal, é CORRETO afirmar:
ECN neonatal → rara antes da alimentação enteral; mais comum em prematuros e fórmula.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma emergência gastrointestinal neonatal que, embora multifatorial, está fortemente associada ao início da alimentação enteral, especialmente em prematuros. Sua ocorrência é rara em neonatos que ainda não iniciaram a dieta oral.
A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais devastadoras no período neonatal, caracterizada por graus variados de inflamação e necrose da parede intestinal. Afeta predominantemente recém-nascidos prematuros e de muito baixo peso, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade nessa população. A compreensão de seus fatores de risco e fisiopatologia é crucial para a prevenção e o manejo precoce. A patogênese da ECN é multifatorial, envolvendo imaturidade intestinal, disbiose da microbiota e lesão isquêmica. A alimentação enteral desempenha um papel central, pois a introdução de nutrientes no intestino imaturo pode levar à proliferação bacteriana excessiva e à translocação bacteriana, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica. Por isso, a ECN raramente se manifesta antes do início da alimentação enteral. O leite humano, por suas propriedades protetoras, reduz significativamente o risco em comparação com fórmulas. O diagnóstico da ECN é clínico e radiológico, com sinais como distensão abdominal, intolerância alimentar, sangue nas fezes e pneumatose intestinal na radiografia. O tratamento é inicialmente clínico, com suspensão da alimentação enteral, descompressão gástrica, antibióticos de amplo espectro e suporte. A intervenção cirúrgica é indicada em casos de perfuração intestinal ou deterioração clínica. A prevenção foca na alimentação enteral gradual, uso de leite humano e probióticos em populações de risco.
Os principais fatores de risco para ECN incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, cardiopatia congênita, cateterismo umbilical e, crucialmente, o início e a progressão da alimentação enteral, especialmente com fórmula láctea.
A alimentação enteral, particularmente com grandes volumes ou fórmulas, pode sobrecarregar um intestino imaturo e isquêmico, alterando a microbiota intestinal e promovendo a proliferação bacteriana. Isso leva a uma resposta inflamatória exacerbada e dano à mucosa intestinal, culminando na ECN.
O leite humano é um fator protetor significativo contra a ECN, devido à presença de componentes imunológicos, fatores de crescimento e prebióticos que promovem uma microbiota saudável e fortalecem a barreira intestinal, reduzindo a incidência e a gravidade da doença.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo