UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Paciente de 8 anos, em 30 dias de pós-operatório de abaixamento a Duhamel, apresenta-se ao PS com história de queda do estado geral, distensão abdominal, náuseas, diarreia esverdeada com odor fétido e febril. A hipótese diagnóstica e a conduta são, correta e respectivamente:
Pós-op Hirschsprung + febre + diarreia fétida = Enterocolite → Internar + ATB + Lavagem retal.
A enterocolite é a complicação mais grave e potencialmente fatal da Doença de Hirschsprung, podendo ocorrer mesmo após a cirurgia definitiva de abaixamento (como Duhamel). O manejo exige descompressão e suporte intensivo.
A enterocolite associada à Doença de Hirschsprung (EADH) é uma emergência pediátrica. A fisiopatologia envolve obstrução funcional, estase e translocação bacteriana. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de distensão abdominal, diarreia explosiva (frequentemente com odor fétido) e febre. No pós-operatório de técnicas como Duhamel, Soave ou Swenson, a vigilância deve ser constante, pois a mortalidade permanece significativa se não tratada precocemente. O tratamento padrão ouro envolve a estabilização hemodinâmica, jejum absoluto com descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, a descompressão retal mecânica. A lavagem deve ser realizada com sonda calibrosa e soro fisiológico várias vezes ao dia. Casos refratários podem exigir colostomia de derivação de urgência.
Mesmo após a ressecção do segmento aganglionar, fatores como estase fecal residual, dismotilidade do cólon abaixado, hipertonia do esfíncter anal ou alterações na barreira mucosa e microbiota podem predispor à proliferação bacteriana e inflamação transmural, resultando em enterocolite.
As lavagens retais são fundamentais para a descompressão mecânica do cólon. Elas ajudam a remover fezes estagnadas, gases e toxinas bacterianas, reduzindo a pressão intraluminal e melhorando a perfusão da mucosa, o que é crítico para reverter o processo inflamatório.
A terapia deve cobrir germes Gram-negativos e anaeróbios. Comumente utiliza-se a associação de metronidazol com aminoglicosídeos ou cefalosporinas de terceira geração, ajustando conforme a gravidade clínica e a resposta do paciente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo