Enterobiose e Vulvovaginite Infantil: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma menina de 7 anos de idade é trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de prurido na região genital há duas semanas que se mostra mais intenso à noite. A mãe relata que uma menina da mesma idade, que mora na casa ao lado, tem apresentado sintomas semelhantes. Ao exame, detectou-se ausência de sangramento ou corrimento e que a membrana himenal está íntegra. Nota-se apenas a presença de eritema na região vulvar e perianal. Quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta a ser adotada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Enterobiose; receitar mebendazol oral.
  2. B) Herpes genital; investigar violência sexual.
  3. C) Candidíase vulvovaginal; receitar antifúngico tópico.
  4. D) Vulvovaginite bacteriana inespecífica; orientar higiene.

Pérola Clínica

Prurido vulvar/perianal noturno em criança → Enterobiose (Oxiuríase). Tratar com Mebendazol ou Albendazol.

Resumo-Chave

A enterobiose é uma causa frequente de vulvovaginite em meninas pré-púberes devido à migração errática do helminto do ânus para a vulva, causando irritação e prurido intenso, tipicamente noturno.

Contexto Educacional

A enterobiose, ou oxiuríase, é uma das parasitoses mais comuns na infância, transmitida pela ingestão de ovos embrionados. Em meninas, a proximidade anatômica entre o ânus e a vulva facilita a migração do parasita, resultando em vulvovaginites inespecíficas caracterizadas por eritema e prurido, sem necessariamente apresentar corrimento fétido ou purulento. O manejo clínico deve focar não apenas na erradicação do parasita no paciente índice, mas também no controle ambiental. Como os ovos podem sobreviver por semanas em superfícies e roupas, a reinfecção é extremamente comum. A orientação de higiene rigorosa, corte de unhas e a repetição da dose do medicamento após 14 dias (para atingir parasitas que eclodiram de ovos sobreviventes) são passos críticos para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Por que o prurido da enterobiose é predominantemente noturno?

O prurido é noturno porque as fêmeas do Enterobius vermicularis migram do ceco para a região perianal durante a noite para depositar seus ovos nas pregas cutâneas. Essa movimentação, associada à substância pegajosa que envolve os ovos, causa irritação local intensa e desencadeia o reflexo de coçar.

Como é feito o diagnóstico de enterobiose?

O diagnóstico padrão-ouro é o Método de Graham (fita gomada), onde uma fita adesiva transparente é aplicada na região perianal pela manhã, antes do banho, para coletar ovos que são visualizados ao microscópio. O exame parasitológico de fezes comum (EPF) tem baixa sensibilidade para este parasita específico.

Qual o tratamento de escolha para enterobiose em crianças?

O tratamento de escolha inclui anti-helmínticos como o Mebendazol (100mg, dose única, repetindo em 2 semanas) ou Albendazol (400mg, dose única, repetindo em 2 semanas). É fundamental tratar todos os contatos domiciliares simultaneamente e reforçar medidas de higiene, como lavagem de mãos e troca de roupas de cama.

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