SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
A presença de eosinofilia no hemograma pode ter inúmeras causas, mas, em geral, chama a atenção para doenças alérgicas e parasitoses. Entretanto, em algumas parasitoses intestinais, a eosinofilia no sangue periférico é incomum, como, por exemplo, na
Enterobíase (oxiuríase) → eosinofilia periférica é incomum, apesar de ser parasitose intestinal.
A eosinofilia é uma resposta comum a muitas parasitoses, especialmente aquelas com fase de migração tecidual. No entanto, em infecções como a enterobíase, onde o parasita reside predominantemente no lúmen intestinal sem grande invasão tecidual, a eosinofilia periférica é rara ou ausente.
A eosinofilia é um achado laboratorial comum que frequentemente direciona a investigação para doenças alérgicas e parasitoses. A compreensão da fisiopatologia por trás da eosinofilia em infecções parasitárias é crucial para o diagnóstico diferencial. A presença de eosinófilos elevados no sangue periférico geralmente indica uma resposta imune mediada por IgE e citocinas como IL-5, em resposta à invasão tecidual por helmintos. No contexto das parasitoses intestinais, a maioria das helmintíases que possuem um ciclo de vida com migração tecidual (pulmonar, hepática, etc.) ou que causam dano tecidual significativo, como ancilostomíase, estrongiloidíase, ascaridíase e toxocaríase, cursa com eosinofilia. Essa resposta é uma tentativa do sistema imune de combater o parasita em seus estágios larvais ou adultos nos tecidos. Entretanto, a enterobíase (oxiuríase), causada pelo Enterobius vermicularis, é uma exceção notável. Este nematoide reside principalmente no lúmen do intestino grosso, com pouca ou nenhuma invasão tecidual. Consequentemente, a resposta imune sistêmica é mínima, e a eosinofilia periférica é incomum ou ausente, tornando o diagnóstico laboratorial dependente da detecção dos ovos na região perianal pelo método da fita gomada.
Parasitoses com fase de migração tecidual, como ancilostomíase, estrongiloidíase e ascaridíase, frequentemente cursam com eosinofilia periférica devido à resposta imune a antígenos teciduais.
A enterobíase, causada pelo Enterobius vermicularis, é uma infecção luminal que raramente invade os tecidos do hospedeiro de forma significativa, limitando a resposta imune sistêmica que levaria à eosinofilia.
O diagnóstico da enterobíase é classicamente feito pelo método da fita gomada (método de Graham), que detecta ovos depositados na região perianal, especialmente pela manhã antes da higiene.
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