Enterobacteriose Septicêmica Prolongada: Salmonella e Schistosoma

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

São agentes envolvidos na enterobacteriose septicêmica prolongada:

Alternativas

  1. A) Salmonela spp e E. coli.
  2. B) E.coli e S. mansoni.
  3. C) Salmonela spp e A. lumbricoides.
  4. D) Salmonela spp e S. mansoni.

Pérola Clínica

Febre prolongada + Esquistossomose + Salmonella = Enterobacteriose Septicêmica Prolongada (ESP).

Resumo-Chave

A ESP é uma condição onde a Salmonella persiste no organismo devido à sua associação física com o Schistosoma mansoni, exigindo tratamento de ambos.

Contexto Educacional

A Enterobacteriose Septicêmica Prolongada (ESP) é um exemplo clássico de interação patógeno-patógeno na medicina tropical. Descrita extensivamente no Brasil, ela ocorre principalmente na forma hepatoesplênica da esquistossomose. O diagnóstico deve ser suspeitado em pacientes de áreas endêmicas com febre de duração superior a 2-3 semanas, eosinofilia e hemoculturas positivas para Salmonella. A erradicação do Schistosoma é o passo crítico para prevenir as recidivas frequentes que caracterizam essa síndrome, tornando o tratamento do helminto tão importante quanto o do agente bacteriano.

Perguntas Frequentes

O que é a Enterobacteriose Septicêmica Prolongada (ESP)?

A ESP é uma síndrome clínica caracterizada por uma bacteremia prolongada por Salmonella (geralmente não-typhi) em pacientes portadores de esquistossomose crônica (Schistosoma mansoni). O quadro clínico mimetiza a febre tifoide, mas com evolução muito mais arrastada e episódios recorrentes de febre, calafrios e hepatoesplenomegalia.

Como ocorre a interação entre a bactéria e o verme?

As bactérias do gênero Salmonella possuem a capacidade de se alojar no tegumento ou no trato digestivo do Schistosoma mansoni adulto. O helminto serve como um 'santuário' ou reservatório para a bactéria, protegendo-a da ação do sistema imune do hospedeiro e de níveis terapêuticos de antibióticos, o que explica a cronicidade da infecção.

Qual o tratamento correto para a ESP?

O tratamento deve ser duplo e simultâneo: antibioticoterapia para erradicar a Salmonella (como ciprofloxacina ou ceftriaxone) e tratamento antiparasitário específico para o Schistosoma mansoni (geralmente Praziquantel). A cura da bacteremia só é alcançada de forma definitiva quando o reservatório (o verme) é eliminado.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo