ESBL e ERC: Tratamento de Infecções por Bactérias Resistentes

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022

Enunciado

A exposição a antimicrobianos é um dos mecanismos responsáveis pelo surgimento de mutações e expressão de resistência bacteriana aos antibióticos. Sobre o tratamento de infecções causadas por enterobactérias produtoras de betalactamases de espectro estendido (ESBL) e enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos (ERC) podemos dizer que:

Alternativas

  1. A) o tratamento de escolha da pielonefrite, causada por ESBL, é Ertapenem ou Meropenem, podendo ser utilizada a Fosfomicina como alternativa terapêutica.
  2. B) ciprofloxacino não deve ser utilizado para infecções do trato urinário causadas por ERC, mesmo que seja uma cistite não complicada.
  3. C) o cefepime deve ser evitado para tratamento de infecções causadas por ESBL, mesmo se a sensibilidade ao cefepime esteja demonstrada. Porém, se o cefepime tiver sido iniciado empírico para cistite, causada por uma ESBL posteriormente identificada e tiver havido melhora clinica, não é necessário escalonar a terapia.
  4. D) não está indicado o uso de Ceftazidima-avibactam para ERC, pois a ceftazidima é uma cefalosporina de terceira geração e, portanto, demonstra resistência às cepas produtoras de carbapenemases.

Pérola Clínica

ESBL: Cefepime EVITAR, mesmo com sensibilidade, exceto cistite com melhora empírica. ERC: Ceftazidima-avibactam é opção.

Resumo-Chave

O tratamento de infecções por ESBL e ERC é complexo devido à resistência. Carbapenêmicos são a escolha para ESBL graves, mas cefepime deve ser evitado, exceto em casos específicos de cistite com boa resposta clínica. Para ERC, novas drogas como ceftazidima-avibactam são opções importantes, exigindo avaliação cuidadosa do perfil de resistência.

Contexto Educacional

A crescente prevalência de enterobactérias produtoras de betalactamases de espectro estendido (ESBL) e enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos (ERC) representa um desafio significativo na prática clínica. A resistência antimicrobiana limita as opções terapêuticas e aumenta a morbimortalidade, exigindo conhecimento aprofundado sobre as estratégias de tratamento. Para infecções por ESBL, os carbapenêmicos são a base do tratamento para casos graves. O uso de cefepime é controverso; embora possa parecer sensível in vitro, há risco de falha terapêutica em infecções sérias, sendo geralmente evitado, exceto em situações específicas como cistites não complicadas com boa resposta clínica. A fosfomicina e a nitrofurantoína podem ser opções para cistites por ESBL. As ERC são ainda mais desafiadoras, exigindo o uso de antibióticos de última geração. Ceftazidima-avibactam é uma opção importante para tratar infecções por carbapenemases de classe A (KPC) e algumas de classe D (OXA-48). O manejo dessas infecções requer vigilância epidemiológica, cultura com antibiograma e, muitas vezes, consulta com infectologista para otimizar a terapia e controlar a disseminação da resistência.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento de escolha para infecções graves por ESBL?

Para infecções graves por enterobactérias produtoras de ESBL, os carbapenêmicos (como ertapenem ou meropenem) são geralmente a classe de antibióticos de escolha, devido à sua estabilidade frente às beta-lactamases de espectro estendido.

Por que o cefepime deve ser evitado em infecções por ESBL, mesmo com sensibilidade in vitro?

O cefepime, apesar de poder mostrar sensibilidade in vitro, tem um risco maior de falha terapêutica em infecções graves por ESBL devido ao efeito inóculo e à hidrólise da droga pela beta-lactamase. É reservado para situações específicas e menos graves como cistites com boa resposta clínica e monitoramento rigoroso.

Quais são as opções terapêuticas para enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos (ERC)?

Para ERC, as opções incluem novas combinações de beta-lactâmicos/inibidores de beta-lactamase como ceftazidima-avibactam, meropenem-vaborbactam, imipenem-cilastatina-relebactam, ou cefiderocol, além de polimixinas e aminoglicosídeos em casos selecionados, sempre guiado por antibiograma.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo