ERC e KPC: Tratamento com Ceftazidima-Avibactam

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 48 anos com paraplegia e uso prolongado de cateter suprapúbico é hospitalizado com quadro de febre e queda do estado geral há 2 dias. Ele já teve múltiplas infecções do trato urinário (ITUs) e é colonizado por organismos gramnegativos multirresistentes. O exame de urina mostra Escherichia coli resistente a carbapenêmicos (ERC). O rastreamento para bactérias resistentes é positivo para Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenem e negativo para metalo-B-lactamase de Nova Delhi. Nessa situação, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a ceftazidima-avibactam deve ser considerada como opção terapêutica adequada.
  2. B) a colistina não deve ser usada para infecção do trato urinário.
  3. C) comprovou-se que a polimixina B é mais nefrotóxica que a colistina por isso deve ser evitada.
  4. D) a polimixina B é farmacologicamente menos confiável que a colistina no tratamento de ERC e não deve ser usada.
  5. E) a tigeciclina é uma monoterapia apropriada para infecções da corrente sanguínea com ERC.

Pérola Clínica

Infecção por ERC/KPC sem metalo-B-lactamase: Ceftazidima-avibactam é uma opção terapêutica eficaz.

Resumo-Chave

Em infecções por Enterobacterales resistentes a carbapenêmicos (ERC/KPC) que não produzem metalo-B-lactamases, a ceftazidima-avibactam é uma excelente opção terapêutica. Este antibiótico combina uma cefalosporina de terceira geração com um inibidor de beta-lactamase que cobre KPC e outras carbapenemases de serina.

Contexto Educacional

Infecções por bactérias gram-negativas multirresistentes, como Enterobacterales Resistentes a Carbapenêmicos (ERC) e Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenem (KPC), representam um desafio crescente na prática clínica, especialmente em pacientes com comorbidades e uso prolongado de dispositivos invasivos. A escolha do tratamento antimicrobiano é complexa e deve ser guiada pelo perfil de sensibilidade do microrganismo e pelo mecanismo de resistência. A identificação do mecanismo de resistência é crucial. Carbapenemases como KPC são serino-beta-lactamases, enquanto metalo-beta-lactamases (como NDM) possuem um mecanismo diferente. A ceftazidima-avibactam é uma combinação de uma cefalosporina de terceira geração com um inibidor de beta-lactamase que é ativo contra KPC e outras serino-carbapenemases, tornando-a uma opção terapêutica valiosa quando não há produção de metalo-beta-lactamases. Outras opções, como colistina e polimixina B, são frequentemente usadas para ERC, mas possuem toxicidades significativas (nefrotoxicidade, neurotoxicidade) e podem ter farmacocinética menos favorável em certos sítios de infecção, como o trato urinário. A tigeciclina, embora ativa contra muitos organismos multirresistentes, não atinge concentrações séricas adequadas para infecções da corrente sanguínea, sendo mais indicada para infecções de tecidos moles e intra-abdominais.

Perguntas Frequentes

Quando a ceftazidima-avibactam é indicada para infecções por gram-negativos multirresistentes?

A ceftazidima-avibactam é indicada para infecções causadas por Enterobacterales resistentes a carbapenêmicos (ERC), especialmente aqueles que produzem carbapenemases de serina como KPC, e que não são produtores de metalo-beta-lactamases.

Quais são as limitações da colistina e polimixina B no tratamento de ITUs?

A colistina e a polimixina B são nefrotóxicas e neurotóxicas, e sua penetração no trato urinário pode ser variável, especialmente em infecções parenquimatosas. A polimixina B é considerada menos confiável farmacologicamente que a colistina para algumas infecções.

Por que a tigeciclina não é uma monoterapia apropriada para infecções da corrente sanguínea com ERC?

A tigeciclina apresenta baixos níveis séricos, o que a torna inadequada como monoterapia para infecções da corrente sanguínea. É mais utilizada para infecções de pele e tecidos moles ou intra-abdominais.

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