UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
No ano de 2020, a pandemia pelo SARSCoV2 causou milhões de casos e mais de um milhão de óbitos. Mobilizou os serviços de saúde, recursos diagnósticos e terapêuticos. Um dos estudos realizados no Brasil (Cavalcanti AB et al. N Engl J Med. 2020 Jul 23: NEJMoa2019014) foi um ensaio clínico, multicêntrico, randomizado, aberto, em pacientes hospitalizados com quadro leve a moderado de COVID-19. Os pacientes foram alocados para receber: grupo 1) tratamento padrão, grupo 2) tratamento padrão + Hidroxicloroquina 400 mg 2 vezes ao dia, grupo 3) tratamento padrão + Hidroxicloroquina 400 mg duas vezes ao dia + Azitromicina 500 mg dose única por sete dias. O desfecho primário foi a condição clínica em 15 dias, avaliada por meio de um escore de gravidade (de 1 a 7). A análise por intenção de tratamento mostrou para o desfecho maior gravidade:Grupo 2 comparado ao grupo 1: odds ratio, 0,99; Intervalo confiança 95% 0,57-1,73;Grupo 3 comparado ao grupo 1: odds ratio, 1,22; Intervalo confiança 95% 0,69-2,11;Grupo 3 comparado ao grupo 2: odds ratio, 0,82; Intervalo confiança 95% 0,47-1,43.Dado esse quadro, pode-se afirmar que o estudo minimizou
Ensaio clínico randomizado minimiza viés de seleção e confundimento; estudo aberto pode ter viés de aferição.
Ensaios clínicos randomizados são o padrão ouro para avaliar intervenções, pois a randomização minimiza vieses de seleção e confundimento, distribuindo características de forma equilibrada entre os grupos. No entanto, um estudo 'aberto' (não cego) pode introduzir viés de aferição, onde o conhecimento da intervenção pode influenciar a avaliação dos desfechos.
Ensaios clínicos randomizados (ECRs) são considerados o padrão ouro na pesquisa clínica para avaliar a eficácia e segurança de intervenções. Sua força reside na randomização, que é o processo de alocar participantes aos grupos de tratamento de forma aleatória, minimizando o viés de seleção (garantindo que os grupos sejam comparáveis no início) e o confundimento (distribuindo fatores de risco e prognósticos de forma equilibrada). No entanto, nem todos os ECRs são perfeitos. Um estudo 'aberto' (não cego) é aquele em que tanto os participantes quanto os pesquisadores sabem qual tratamento está sendo administrado. Isso, embora necessário em algumas situações, pode introduzir um viés de aferição, onde o conhecimento da intervenção pode influenciar a forma como os desfechos são percebidos, relatados ou medidos, seja pelos pacientes (efeito placebo/nocebo) ou pelos avaliadores. A interpretação dos resultados de um ECR também depende da análise estatística, como o Odds Ratio (OR) e o Intervalo de Confiança (IC). Se o IC 95% para o OR inclui o valor 1 (que representa ausência de efeito), a diferença observada não é estatisticamente significativa, o que significa que não há evidências suficientes para afirmar que a intervenção teve um efeito diferente do controle. No estudo apresentado, todos os ICs para os ORs incluem 1, indicando que não houve diferença significativa entre os grupos de tratamento para o desfecho de maior gravidade.
A randomização distribui aleatoriamente as características dos participantes (conhecidas e desconhecidas) entre os grupos de intervenção e controle, minimizando o viés de seleção e o confundimento, pois os grupos se tornam comparáveis no início do estudo.
Viés de aferição ocorre quando a forma como os desfechos são medidos ou avaliados difere sistematicamente entre os grupos. Em um estudo 'aberto' (não cego), tanto os participantes quanto os avaliadores sabem qual tratamento foi recebido, o que pode influenciar subjetivamente a percepção ou registro dos desfechos.
Quando o IC 95% para um Odds Ratio inclui 1, significa que a diferença observada entre os grupos não é estatisticamente significante. Ou seja, não se pode descartar que o efeito real seja nulo, indicando que a intervenção pode não ter tido um impacto significativo no desfecho.
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