UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018
O sangramento pós-parto é a principal causa de morte materna no mundo. A administração de ácido tranexâmico reduz mortes por sangramento em vítimas de traumas. Para estudar o efeito da administração precoce de ácido tranexâmico na mortalidade de mulheres com hemorragia pós-parto, foi realizado um ensaio clínico randomizado. O estudo foi conduzido de forma que nem as participantes nem os responsáveis pelos cuidados das parturientes soubessem o grupo para o qual as mulheres foram alocadas, isto é, se o de intervenção (1 g de ácido tranexâmico) ou o placebo. Além da mortalidade, foram avaliados a necessidade de histerectomia e a ocorrência de efeitos adversos. Pode-se afirmar que randomização e mascaramento foram utilizados com a finalidade de:
Randomização → Homogeneidade (evita viés de seleção); Mascaramento → Evita viés de aferição/informação.
A randomização garante que grupos sejam comparáveis no início, enquanto o mascaramento impede que o conhecimento da intervenção influencie a avaliação dos resultados.
Os Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) são o padrão-ouro para avaliar a eficácia de intervenções terapêuticas. A validade interna de um ECR depende rigorosamente do controle de vieses. A randomização atua na fase de formação dos grupos, buscando a homogeneidade. O mascaramento atua durante a condução e coleta de dados, protegendo a integridade da informação. Juntos, esses mecanismos fortalecem a evidência científica, permitindo que decisões clínicas, como o uso de ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto, sejam baseadas em dados robustos e confiáveis.
A randomização tem como objetivo principal garantir que os grupos de intervenção e controle sejam comparáveis entre si em relação a variáveis conhecidas e, crucialmente, variáveis desconhecidas (fatores de confusão). Ao alocar os participantes de forma aleatória, minimiza-se o viés de seleção, permitindo que qualquer diferença observada nos desfechos ao final do estudo possa ser atribuída à intervenção testada e não a diferenças basais entre os grupos.
O mascaramento (ou cegamento) é uma técnica onde os participantes, os investigadores ou os analistas de dados não sabem qual intervenção está sendo administrada. Sua função é reduzir o viés de aferição (ou observação) e o viés de relato. Se um médico sabe que o paciente recebeu a droga ativa, ele pode, inconscientemente, superestimar os benefícios ou subestimar os efeitos colaterais; o mascaramento previne essa distorção subjetiva.
No estudo simples-cego, apenas o participante não sabe o que está recebendo. No duplo-cego, tanto o participante quanto o médico/investigador que presta o cuidado desconhecem a alocação. No triplo-cego, além desses dois, os responsáveis pela análise estatística dos dados também não sabem a qual grupo pertencem os códigos analisados, garantindo o maior nível de isenção possível na interpretação dos resultados.
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