CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2021
Sobre a córnea, é correto afirmar:
Endotélio corneano = monocamada hexagonal não regenerativa; densidade ↓ com a idade (3500-4000 ao nascimento).
O endotélio é uma monocamada celular vital para a desidratação e transparência da córnea; suas células têm capacidade regenerativa limitada em humanos.
A córnea é composta por cinco camadas principais (da anterior para a posterior): epitélio, membrana de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio. O estroma constitui cerca de 90% da espessura corneana. A organização precisa das fibras de colágeno estromais e o estado de desidratação mantido pelo endotélio são os pilares da transparência óptica. Clinicamente, a avaliação da densidade endotelial via microscopia especular é fundamental antes de cirurgias intraoculares, como a de catarata, para prever o risco de descompensação corneana no pós-operatório. A densidade normal ao nascimento é alta (3500-4000 células/mm²) e declina fisiologicamente ao longo da vida, estabilizando-se em torno de 2000-2500 células/mm² na idade adulta.
O endotélio corneano é responsável por manter a córnea em um estado de detumescência (desidratação relativa), o que é essencial para sua transparência. Ele atua através de uma barreira física 'leaky' e, principalmente, por bombas metabólicas ativas (Na+/K+ ATPase) que transportam íons e água do estroma de volta para a câmara anterior, contrabalançando a pressão osmótica que tende a edemaciar o estroma.
Em humanos, as células endoteliais têm uma capacidade de divisão mitótica extremamente limitada in vivo. Quando ocorre perda celular por trauma, cirurgia ou doença (como a Distrofia de Fuchs), as células vizinhas aumentam de tamanho (polimegatismo) e mudam de forma (pleomorfismo) para cobrir o espaço vazio. Se a densidade cai abaixo de um limiar crítico (geralmente 500-800 células/mm²), a córnea perde a capacidade de desidratação, resultando em edema e perda de visão.
O epitélio corneano é estratificado, escamoso e não queratinizado, representando cerca de 10% da espessura total (não 20%) e renovando-se a cada 7-10 dias a partir de células-tronco no limbo. A membrana de Bowman é uma camada acelular de fibras colágenas desordenadas situada logo abaixo do epitélio; ela não se regenera, funcionando como uma barreira protetora, mas sua ruptura leva invariavelmente à formação de leucomas (cicatrizes).
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