CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Dos valores abaixo, o que mais se aproxima da densidade endotelial da córnea de um adulto jovem sem doença ocular é:
Densidade endotelial normal (adulto jovem) ≈ 3.000 céls./mm².
O endotélio corneano humano não possui capacidade regenerativa significativa; a densidade de 3.000 céls./mm² em jovens garante a transparência corneana através da bomba metabólica.
O endotélio é uma monocamada de células hexagonais na face posterior da córnea. Sua principal função é manter a córnea em um estado de desidratação relativa (detumescência), essencial para a transparência óptica. Como essas células são pós-mitóticas, qualquer perda por trauma, inflamação (uveíte) ou cirurgia é permanente, sendo compensada apenas pelo aumento do tamanho das células vizinhas.
Em um adulto jovem saudável, a densidade endotelial média gira em torno de 3.000 a 3.500 células por milímetro quadrado (céls./mm²). Esse número tende a diminuir fisiologicamente com a idade, a uma taxa de aproximadamente 0,6% ao ano. Valores acima de 2.000 céls./mm² são geralmente considerados seguros para a maioria dos procedimentos cirúrgicos intraoculares, garantindo que a córnea mantenha sua função de desidratação e transparência no pós-operatório.
Quando a densidade endotelial cai abaixo de um limiar crítico (geralmente entre 500 a 700 céls./mm²), a bomba endotelial falha em manter o estado de detumescência da córnea. Isso resulta em edema corneano, formação de bolhas epiteliais (ceratopatia bolhosa) e perda progressiva da transparência e acuidade visual. Nesses casos, o tratamento definitivo costuma ser o transplante de córnea, seja ele penetrante ou lamelar posterior (como o DSAEK ou DMEK).
A cirurgia de catarata, especialmente a facoemulsificação, utiliza energia de ultrassom que pode lesar as células endoteliais. Se um paciente já possui uma contagem baixa (ex: Distrofia de Fuchs), o trauma cirúrgico pode levar à descompensação corneana imediata. A microscopia especular permite ao cirurgião planejar a técnica, usar viscoelásticos dispersivos protetores e alertar o paciente sobre o risco de edema prolongado ou necessidade de transplante futuro.
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