INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem de 49 anos procura atendimento com queixa de dor epigástrica e retroesternal em queimação, diária, nos últimos 5 meses. Relata que esses sintomas parecem agravar-se quando se deita e após terminar as refeições. Ele nega disfagia ou perda de peso. Refere tosse e rouquidão pela manhã nos últimos meses. O paciente fez uso, por conta própria, de um medicamento inibidor da bomba de prótons por 1 mês, com melhora parcial dos sintomas. Ele refere ingesta ocasional de bebidas alcóolicas, mas não fuma. Ao exame físico, observa-se obesidade grau 2 e não são identificadas anormalidades cardiopulmonares ou abdominais. Considerando esse caso clínico, assinale a opção que apresenta o exame mais adequado para confirmação diagnóstica
DRGE com sintomas atípicos (tosse, rouquidão) e melhora parcial com IBP → Indicação de Endoscopia Digestiva Alta para avaliação.
O paciente apresenta sintomas crônicos de DRGE, incluindo manifestações extraesofágicas (tosse e rouquidão matinal), e teve apenas melhora parcial com o uso de IBP por 1 mês. A falha terapêutica ou resposta incompleta ao tratamento empírico, juntamente com a cronicidade dos sintomas, indica a necessidade de investigação mais aprofundada com Endoscopia Digestiva Alta para avaliar a mucosa esofágica e descartar complicações.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição multifatorial que pode se manifestar com sintomas esofágicos típicos (pirose, regurgitação) e extraesofágicos (tosse crônica, rouquidão, asma). Embora o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) seja a abordagem inicial para muitos pacientes, a falha terapêutica ou a presença de sintomas atípicos e crônicos demandam investigação mais aprofundada. Neste caso, a persistência dos sintomas por 5 meses, a presença de tosse e rouquidão matinal (sugestivos de refluxo laringofaríngeo) e a melhora apenas parcial com IBP por 1 mês indicam que a terapia empírica não foi totalmente eficaz. A obesidade é um fator de risco importante para a DRGE e suas complicações. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é o exame mais adequado para confirmar o diagnóstico e avaliar a presença de complicações da DRGE, como esofagite, úlceras, estenoses ou esôfago de Barrett. A EDA permite a visualização direta da mucosa esofágica e a realização de biópsias, se necessário, sendo crucial para guiar o manejo a longo prazo e o rastreamento de condições pré-malignas.
Os sintomas extraesofágicos comuns da DRGE incluem tosse crônica, rouquidão, laringite, asma e erosão dentária, resultantes da irritação das vias aéreas e da orofaringe pelo refluxo.
A endoscopia digestiva alta é o exame mais adequado porque o paciente apresenta sintomas crônicos, sintomas extraesofágicos e resposta parcial ao IBP, indicando a necessidade de avaliar a presença de esofagite, estenoses, esôfago de Barrett ou outras complicações.
A endoscopia pode diagnosticar esofagite de refluxo, úlceras esofágicas, estenoses esofágicas, esôfago de Barrett (uma metaplasia que pode ser precursora de adenocarcinoma) e, em alguns casos, hérnia de hiato.
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