Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Tratamento Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente 32 anos, no quarto dia pós cesariana, com queixa de prostração e febre. Cesariana eletiva por apresentação pélvica. Ao exame: PA 100x60 mmHg, FC 110 bpm, temperatura axilar 38OC. Mamas lactantes, simétricas, sem hiperemia ou ingurgitamento. Abdome com útero 3 cm acima da cicatriz umbilical, discretamente doloroso a palpação profunda do hipogastro, peristalse presente. Exame especular com secreção amarelada, turva. Toque com útero amolecido, doloroso e com colo entreaberto. Pensando no diagnóstico mais provável para o caso, marque a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) deve ser administrado ocitocina intravenosa em bolus para evitar sangramento e tratamento da hipotonia;
  2. B) tromboflebite pélvica deve ser diagnosticada e administrado enoxaparina 1mg/kg duas vezes ao dia imediatamente;
  3. C) restos ovulares é o diagnóstico provável e está indicado a histerectomia puerperal;
  4. D) antibióticos como clindamicina e gentamicina, associados com metronidazol ou ampicilina estão indicados para o tratamento da endometrite;
  5. E) infecção por Clostridium perfringens deve ser pensada e está indicado desbridamento em centro cirúrgico.

Pérola Clínica

Febre + dor uterina + secreção purulenta pós-parto = Endometrite puerperal → Clindamicina + Gentamicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, taquicardia, dor uterina e secreção purulenta no pós-parto é altamente sugestivo de endometrite puerperal, sendo o esquema de clindamicina e gentamicina a terapia antibiótica de primeira linha.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, especialmente após cesariana, e representa uma causa significativa de morbidade materna. É definida pela presença de febre (>38°C) em pelo menos duas ocasiões após as primeiras 24 horas pós-parto, acompanhada de dor uterina e/ou secreção vaginal purulenta. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir complicações graves. A etiologia é polimicrobiana, envolvendo bactérias da flora vaginal e intestinal, como estreptococos, estafilococos, enterobactérias e anaeróbios. Fatores de risco incluem cesariana, trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas, múltiplos exames de toque e obesidade. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas característicos no período puerperal. O tratamento padrão-ouro é a antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A combinação de clindamicina e gentamicina é o esquema de primeira linha, cobrindo a maioria dos patógenos envolvidos. A melhora clínica geralmente ocorre em 48-72 horas. Em casos de falha terapêutica, outras causas de febre puerperal ou resistência bacteriana devem ser investigadas, e pode ser necessário adicionar metronidazol ou ampicilina, dependendo da suspeita.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da endometrite puerperal?

Os sinais e sintomas incluem febre (geralmente >38°C), dor abdominal ou pélvica, útero doloroso à palpação, taquicardia e secreção vaginal purulenta ou fétida.

Qual é o esquema antibiótico de primeira linha para endometrite puerperal?

O esquema de primeira linha recomendado é a combinação de clindamicina e gentamicina, que oferece ampla cobertura para bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbias.

Quando suspeitar de outras causas de febre puerperal além da endometrite?

Se o tratamento antibiótico para endometrite não for eficaz após 48-72 horas, ou se houver sinais localizados (mamas, trato urinário, ferida operatória), deve-se investigar outras causas como mastite, ITU, infecção de ferida ou tromboflebite pélvica séptica.

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