Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Etiologia Polimicrobiana

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Puérpera, 42a, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de febre, que começou há dois dias, dor em baixo ventre e o sangramento vaginal, que estava quase parando, aumentou muito, com odor fétido e muitos coágulos. Antecedente pessoal: oitavo dia de puerpério, parto cesárea, após 18 horas de trabalho de parto, com bolsa rota por 10 horas. Exame físico: FC= 110 bpm, T= 38°C, PA= 110x70 mmHg; toque vaginal: colo 1 polpa folgada de dilatação, útero globoso, aumentado para 14 semanas; mamas: lactantes, sem alterações. A ETIOLOGIA É: 

Alternativas

  1. A) Streptococcus do grupo A.
  2. B) Staphylococcus aureus.
  3. C) Clostridium perfringens.
  4. D) Infecção polimicrobiana.

Pérola Clínica

Endometrite puerperal (febre, dor pélvica, útero subinvoluído, lóquios fétidos) = Infecção polimicrobiana, geralmente ascendente.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro típico de endometrite puerperal, uma infecção do endométrio após o parto, caracterizada por febre, dor pélvica, útero subinvoluído e lóquios fétidos. Os fatores de risco (cesárea, trabalho de parto e bolsa rota prolongados) são evidentes. A etiologia mais comum da endometrite puerperal é polimicrobiana, envolvendo bactérias da flora vaginal e intestinal.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é uma infecção do endométrio que ocorre no período pós-parto, sendo a causa mais comum de febre puerperal. É uma complicação significativa que pode levar a morbidade materna, incluindo sepse, abscesso pélvico e infertilidade. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir desfechos adversos. Os fatores de risco para endometrite puerperal são diversos e incluem procedimentos invasivos como o parto cesárea, trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas amnióticas, corioamnionite prévia e múltiplos exames vaginais durante o trabalho de parto. A paciente da questão apresenta vários desses fatores, o que aumenta significativamente sua suscetibilidade. A etiologia da endometrite puerperal é classicamente polimicrobiana, envolvendo uma ascensão de bactérias da flora vaginal e intestinal para o útero. Os patógenos comuns incluem anaeróbios (como Peptostreptococcus e Bacteroides spp.), bactérias Gram-negativas (como Escherichia coli e Klebsiella spp.) e Gram-positivas (como Streptococcus do grupo B e Enterococcus spp.). O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro, como a combinação de clindamicina e gentamicina, é a abordagem padrão para cobrir essa ampla gama de microrganismos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de endometrite puerperal?

Os principais fatores de risco incluem parto cesárea, trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas, corioamnionite, múltiplos toques vaginais, instrumentação intrauterina e anemia.

Quais são os sinais e sintomas clássicos da endometrite puerperal?

Os sinais e sintomas clássicos incluem febre (geralmente > 38°C), dor abdominal ou pélvica, útero doloroso à palpação e subinvoluído, e lóquios com odor fétido ou purulentos.

Qual o tratamento antimicrobiano empírico recomendado para endometrite puerperal?

O tratamento empírico deve cobrir a etiologia polimicrobiana, incluindo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios. A combinação de clindamicina e gentamicina é frequentemente a primeira escolha, com boa cobertura para a maioria dos patógenos envolvidos.

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