Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Tratamento Essencial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Mulher 38 anos, Gesta IV Para IV A0 - uma Cesaria anterior, comparece a unidade de pronto atendimento com queixa de febre e dor abdominal. Encontra-se no décimo dia do pós - parto. Ao exame físico: FC=100 bpm, temperatura axilar =38,5 graus centígrados, mamas sem alterações. Útero na cicatriz um umbilical e colo uterino prévio para uma polpa digital. Ultrassonografia abdominal evidência útero com 500 cm cúbicos de volume e endométrio com 15 mm sem espessamentos focais. Com anexos normais. Quais o diagnóstico e conduta diante deste caso clínico?

Alternativas

  1. A) Tromboflebite pélvica; iniciar anticoagulação com heparina e antibioticoterapia.
  2. B) Endometrite puerperal; iniciar antibioticoterapia hospitalar.
  3. C) Infecção urinária com cistite; iniciar antibioticoterapia após coleta de cultura.
  4. D) Restos ovulares intrauterino infectados; iniciar antibioticoterapia e curetagem.
  5. E) Febre da ""chegada do leite"" fisiológica; antitérmico e manter aleitamento.

Pérola Clínica

Febre + dor abdominal + útero subinvoluído no puerpério (10º dia) → Endometrite puerperal; iniciar ATB hospitalar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta febre, taquicardia e dor abdominal no 10º dia pós-parto, com útero subinvoluído e endométrio espessado (15mm). Este quadro é altamente sugestivo de endometrite puerperal, uma infecção do endométrio pós-parto que requer antibioticoterapia de amplo espectro, geralmente em regime hospitalar.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum do puerpério, caracterizada pela inflamação do endométrio após o parto. Sua incidência é maior em partos cesarianos e em pacientes com fatores de risco como trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas e múltiplos toques vaginais. Clinicamente, manifesta-se tipicamente entre o 2º e o 10º dia pós-parto com febre (>38°C), dor abdominal ou pélvica, taquicardia e, por vezes, lóquios fétidos ou purulentos. O útero pode estar subinvoluído e doloroso à palpação. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal ou intestinal para o útero, aproveitando o ambiente favorável pós-parto. O diagnóstico é eminentemente clínico, embora exames complementares como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e ultrassonografia pélvica (útero aumentado, endométrio espessado sem espessamentos focais que sugiram restos ovulares) possam auxiliar. É crucial diferenciar de outras causas de febre puerperal, como infecção urinária, mastite, tromboflebite pélvica séptica ou infecção de ferida operatória. A conduta é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, cobrindo germes aeróbios e anaeróbios. O esquema mais comum e eficaz é a combinação de clindamicina e gentamicina. A melhora clínica geralmente ocorre em 48-72 horas. Em casos refratários, deve-se investigar complicações como abscesso pélvico ou tromboflebite pélvica séptica. O tratamento precoce é fundamental para prevenir a progressão da infecção e complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais e sintomas da endometrite puerperal?

Os principais sinais e sintomas da endometrite puerperal incluem febre (geralmente >38°C), dor abdominal ou pélvica, útero subinvoluído e doloroso à palpação, e lóquios purulentos ou com odor fétido. Taquicardia também é comum.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de endometrite puerperal?

A conduta inicial é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, que cubra bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbias. Esquemas comuns incluem clindamicina mais gentamicina.

Como diferenciar endometrite puerperal de restos ovulares infectados?

Embora possam coexistir, na endometrite puerperal o útero está subinvoluído e doloroso, com endométrio espessado difusamente. Em restos ovulares infectados, a ultrassonografia pode evidenciar espessamentos focais ou massas intrauterinas, que podem necessitar de esvaziamento uterino após estabilização clínica.

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