Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Paciente puérpera com 3 semanas de parto apresenta febre persistente, loquiação fétida e dor hipogástrica. Qual o diagnóstico mais provável?
Febre + Útero doloroso + Loquios fétidos = Endometrite. Tratar com Clindamicina + Gentamicina.
A endometrite é a principal causa de febre puerperal, caracterizada por inflamação do endométrio após o parto, geralmente polimicrobiana, exigindo diagnóstico clínico rápido.
A endometrite puerperal é uma infecção ascendente que atinge o endométrio e, por vezes, o miométrio. É a causa mais comum de infecção pós-parto. A fisiopatologia envolve a colonização da cavidade uterina por bactérias da flora vaginal e retal durante ou após o parto. Embora a maioria dos casos ocorra nos primeiros 10 dias, apresentações tardias podem ocorrer. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves como peritonite ou choque séptico.
O principal fator de risco é o parto cesárea, especialmente se realizado após trabalho de parto prolongado ou ruptura prematura de membranas. Outros fatores incluem múltiplos exames vaginais, monitorização fetal interna, anemia e presença de mecônio. A profilaxia antibiótica na cesárea é a principal medida preventiva.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Baseia-se na presença de febre (geralmente >38°C) que surge após as primeiras 24 horas do parto, associada a sensibilidade uterina à palpação (útero subinvoluído e doloroso) e loquiação com odor fétido ou purulenta.
O esquema padrão-ouro é a associação de Clindamicina (900mg IV a cada 8h) e Gentamicina (1,5mg/kg IV a cada 8h ou 5mg/kg dose única diária). Essa combinação oferece excelente cobertura para a flora polimicrobiana do trato genital, incluindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios.
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