Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Uma mulher no 10.º dia pós-parto vaginal sem episiotomia, comparece à Unidade de Emergência referindo febre de até 38,5ºC, dor abdominal e sangramento vaginal aumentado, de odor fétido. Ao exame, apresentou pressão arterial = 100 x 60 mmHg, temperatura axilar = 38ºC, frequência cardíaca = 105 bpm, dor à palpação do abdome em hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal, e útero palpável ao nível da cicatriz umbilical. Ao exame especular, foram observados sangue coletado em fundo vaginal e pequena quantidade de membranas em orifício cervical externo. Ao toque vaginal, a paciente apresentou colo pérvio e dor à mobilização do colo uterino. Qual a conduta mais adequada para o caso?
Endometrite puerperal com restos ovulares → ATB EV + curetagem.
O quadro clínico sugere endometrite puerperal com prováveis restos ovulares infectados. A febre, dor abdominal, sangramento fétido e colo pérvio com membranas são indicativos. O tratamento envolve antibioticoterapia de amplo espectro e remoção dos restos por curetagem.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, representando uma causa significativa de morbidade materna. É fundamental que residentes e estudantes de medicina saibam reconhecer seus sinais e sintomas para um manejo rápido e eficaz, prevenindo complicações graves como sepse. A condição é caracterizada por febre, dor abdominal, lóquios fétidos e útero subinvoluído e doloroso. A presença de restos placentários ou ovulares é um fator de risco importante, pois estes tecidos necróticos servem como meio de cultura para bactérias. O diagnóstico é clínico, complementado por exames laboratoriais e, por vezes, ultrassonografia para confirmar a presença de restos. O tratamento padrão ouro para endometrite com restos ovulares é a antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (geralmente gentamicina e clindamicina) combinada com a remoção dos restos por curetagem uterina. A intervenção cirúrgica é crucial para eliminar o foco infeccioso e permitir a recuperação uterina. O manejo adequado é vital para o prognóstico materno.
Os principais sinais e sintomas incluem febre persistente após o parto, dor abdominal (especialmente hipogástrica), sangramento vaginal aumentado e com odor fétido, taquicardia e útero subinvoluído e doloroso à palpação.
A curetagem é essencial para remover os restos placentários ou ovulares que servem como foco de infecção e impedem a contração uterina adequada, contribuindo para o sangramento e a persistência da infecção.
O esquema de antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro mais comum inclui gentamicina (para gram-negativos) e clindamicina (para anaeróbios e gram-positivos), cobrindo a maioria dos patógenos envolvidos.
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