Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Manejo Pós-Cesárea

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Paciente teve parto cesárea há 8 dias e retorna à maternidade com queixa de febre alta há 2 dias, acompanhada de calafrios nas últimas horas. Refere ainda dor intensa em andar inferior do abdome. A loquiação está escassa, mas apresenta odor fétido. Ao exame: regular estado geral, temperatura 39° C, PA = 100 x 60 mmHg, FC = 120 bpm, útero no nível da cicatriz umbilical, amolecido e doloroso à palpação. Cicatriz de cesariana seca e limpa. Mamas lactantes, com sinais de ingurgitamento mamário e fissura mamilar à esquerda, mas sem evidência de mastite ou abscesso mamário. Ultrassonografia não evidenciou sinais ecográficos de conteúdo anormal na cavidade uterina ou na cavidade abdominal. Hemograma com leucocitose e desvio à esquerda. A conduta indicada para esse caso é 

Alternativas

  1. A) suspender amamentação e iniciar antibioticoterapia com clindamicina por via oral, em nível ambulatorial. 
  2. B) manter amamentação e iniciar antibioticoterapia com clindamicina por via oral, em nível ambulatorial.
  3. C) suspender a amamentação e internar a paciente para curetagem uterina de urgência e antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina.
  4. D) manter a amamentação e iniciar antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina.

Pérola Clínica

Endometrite puerperal = febre + dor abdominal + loquiação fétida pós-parto; tratar com Clindamicina + Gentamicina IV, manter amamentação.

Resumo-Chave

A endometrite puerperal é uma infecção grave que exige internação e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A amamentação deve ser mantida, pois os benefícios superam os riscos na maioria dos casos.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no puerpério, especialmente após cesariana, caracterizada por febre, dor abdominal e loquiação fétida. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para o endométrio, que está vulnerável após o parto. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico, e a exclusão de outras fontes de febre puerperal é importante. A suspeita de endometrite puerperal exige uma abordagem rápida e eficaz. O tratamento padrão ouro envolve a internação da paciente e a administração de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos. A combinação de clindamicina e gentamicina é frequentemente utilizada, demonstrando alta eficácia. É crucial ressaltar que a amamentação não deve ser suspensa, pois os benefícios do leite materno para o recém-nascido são inestimáveis e a maioria dos antibióticos utilizados é segura durante a lactação. A curetagem uterina não é indicada de rotina, sendo reservada para casos de retenção de restos placentários confirmados por imagem, o que não foi evidenciado neste caso.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da endometrite puerperal?

Os sinais incluem febre alta, dor abdominal intensa, útero amolecido e doloroso à palpação, e loquiação fétida, geralmente ocorrendo nos primeiros 10 dias pós-parto.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de endometrite puerperal grave?

A conduta inicial é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, como a combinação de clindamicina e gentamicina.

A amamentação deve ser suspensa em casos de endometrite puerperal?

Não, a amamentação deve ser mantida, pois os benefícios do aleitamento materno superam os riscos na maioria dos casos de infecção puerperal, e os antibióticos escolhidos geralmente são compatíveis.

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