FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2021
Puérpera, 8º dia pós-parto, cesariana, apresentando febre (TAX 38º C), útero pouco involuído e lóquios fétidos, sendo iniciado clindamicina + gentamicina com melhora parcial da febre. Realizada USO abdominal e pélvica, fechou diagnóstico de:
Febre + lóquios fétidos + útero subinvoluído em puérpera → endometrite puerperal.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, especialmente após cesariana. A tríade clássica de febre, lóquios fétidos e útero subinvoluído sugere fortemente o diagnóstico, que é clínico e confirmado pela resposta ao antibiótico.
A endometrite puerperal é a infecção mais frequente no período pós-parto, caracterizada pela inflamação da decídua uterina. Sua incidência é significativamente maior após cesariana (5-10%) em comparação com o parto vaginal (1-3%). A patogênese envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal e cervical para a cavidade uterina, facilitada por fatores como trauma tecidual, presença de restos placentários e coágulos, e manipulação durante o parto. É uma condição de grande importância clínica devido ao potencial de morbidade e, em casos raros, mortalidade materna. O diagnóstico da endometrite puerperal é predominantemente clínico, baseado na tríade clássica de febre (temperatura ≥ 38°C por pelo menos 2 dias nas primeiras 10 dias pós-parto, excluindo o primeiro dia), dor abdominal ou pélvica, e útero subinvoluído e doloroso à palpação, frequentemente acompanhado de lóquios fétidos. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose, mas não são específicos. A ultrassonografia pélvica pode ser útil para excluir retenção de restos placentários ou abscessos, mas não é diagnóstica por si só. O tratamento consiste em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, com cobertura para bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbias. O esquema mais comum e eficaz é a combinação de clindamicina e gentamicina. A melhora clínica, com a paciente afebril por 24-48 horas, geralmente indica sucesso terapêutico e permite a alta hospitalar. A não resposta ao tratamento deve levantar a suspeita de complicações como abscesso pélvico ou tromboflebite pélvica séptica, exigindo investigação adicional.
Os principais fatores de risco incluem cesariana (o maior), trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas, múltiplos exames vaginais, corioamnionite, retenção de restos placentários e anemia.
O tratamento de primeira linha é a antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, geralmente uma combinação de clindamicina (para anaeróbios) e gentamicina (para gram-negativos), até que a paciente esteja afebril por 24-48 horas.
A endometrite puerperal se caracteriza pela febre, dor abdominal, útero subinvoluído e lóquios fétidos. Outras causas incluem infecção de ferida operatória, mastite, infecção do trato urinário e tromboflebite pélvica séptica, que podem ter apresentações clínicas distintas e exames complementares específicos.
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