USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Puérpera retorna em consulta no 8º dia pós-parto cesárea com queixa de cansaço e mal-estar há 2 dias. Devido à dificuldade nas mamadas, iniciou complementação com fórmula láctea para o recém-nascido há 2 dias. Refere temperatura axilar 38,1 °C. Ao exame físico, regular estado geral, FC de 100 bpm, PA de 90x60 mmHg. Abdome flácido, doloroso à palpação de hipogástrio, útero palpável 2 cm abaixo da cicatriz umbilical. As imagens a seguir referem-se ao exame físico da paciente:Com base nos dados e nas imagens, assinale a conduta mais adequada neste momento.
Febre puerperal + útero doloroso + taquicardia → suspeitar de endometrite puerperal.
A puérpera apresenta sinais clássicos de endometrite puerperal (febre, taquicardia, dor uterina, útero subinvoluído), uma infecção grave que requer tratamento imediato com antibióticos endovenosos de amplo espectro para prevenir complicações como sepse.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum no puerpério, afetando o endométrio e, por vezes, o miométrio e paramétrio. É uma causa importante de morbidade e mortalidade materna, especialmente após o parto cesáreo, que é o principal fator de risco. A infecção geralmente é polimicrobiana, envolvendo bactérias da flora vaginal e intestinal. A apresentação clínica típica inclui febre (>38°C) nas primeiras 24-48 horas pós-parto, dor abdominal, útero doloroso à palpação, subinvoluído e, ocasionalmente, loquiação fétida. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose e aumento de marcadores inflamatórios. A diferenciação de outras causas de febre puerperal, como mastite, infecção urinária ou tromboflebite pélvica, é crucial. A conduta imediata é a antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, geralmente com cobertura para anaeróbios e gram-negativos, como clindamicina e gentamicina, ou ampicilina/sulbactam. A resposta ao tratamento é geralmente rápida, com melhora clínica em 48-72 horas. A falha terapêutica deve levantar a suspeita de abscesso pélvico, tromboflebite séptica pélvica ou resistência bacteriana. A prevenção inclui a profilaxia antibiótica em cesarianas e a técnica asséptica rigorosa durante o parto. O reconhecimento precoce e o tratamento agressivo são essenciais para evitar complicações graves como sepse e choque séptico.
Os sinais incluem febre (geralmente >38°C), dor abdominal ou pélvica, útero doloroso à palpação e subinvoluído, taquicardia e, por vezes, loquiação fétida. Pode haver mal-estar e calafrios, indicando um quadro infeccioso sistêmico.
A conduta mais adequada é iniciar antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, cobrindo bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios, como clindamicina associada a gentamicina, ou ampicilina/sulbactam, para controlar a infecção rapidamente.
Os principais fatores de risco incluem parto cesáreo (especialmente de emergência), ruptura prolongada de membranas, múltiplos exames vaginais durante o trabalho de parto, corioamnionite, anemia materna e obesidade, que aumentam a chance de infecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo