Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Tratamento Inicial

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Paciente evoluiu com dor e dificuldade de deambulação no pós-parto, necessitando analgésico de resgate. No 2o dia pós-parto, apresenta temperatura oral aferida de 38,6°C. No exame clínico, está em bom estado geral e eupneica. O abdome é doloroso à palpação, com sinal de descompressão brusca negativo e ruídos hidroaéreos presentes. A ferida cirúrgica tem bom aspecto. A loquiação é fétida. A conduta inicial indicada para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) Administrar antibiótico. 
  2. B) Histerectomia subtotal.
  3. C) Aspirar restos ovulares.
  4. D) Anticoagulação plena.
  5. E) Histerectomia total.

Pérola Clínica

Febre puerperal + loquiação fétida + dor abdominal = endometrite puerperal → ATB empírico.

Resumo-Chave

A febre puerperal, especialmente no 2º dia pós-parto, associada a dor abdominal e loquiação fétida, é altamente sugestiva de endometrite puerperal. A conduta inicial é a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, representando uma causa significativa de morbidade materna. É definida como uma infecção do endométrio que ocorre após o parto, geralmente manifestando-se com febre, dor abdominal e loquiação fétida. A incidência é maior após o parto cesáreo, especialmente se não houver profilaxia antibiótica adequada, e é um tema de grande importância para residentes de ginecologia e obstetrícia. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para o útero, que se torna um ambiente propício para infecção devido a traumas, restos placentários ou coágulos. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na tríade de febre (>38°C por pelo menos 24h ou em duas ocasiões após as primeiras 24h pós-parto), dor abdominal e loquiação fétida. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose, mas o tratamento não deve ser atrasado. A conduta inicial e mais importante é a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, visando cobrir os principais patógenos (anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos). O esquema clássico é Clindamicina e Gentamicina intravenosos. A melhora clínica, com a paciente afebril por 24-48 horas, geralmente indica sucesso do tratamento. Complicações raras incluem abscesso pélvico, peritonite e sepse, reforçando a necessidade de tratamento precoce e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para endometrite puerperal?

Os principais fatores de risco incluem parto cesáreo, trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas, múltiplos exames vaginais, corioamnionite, retenção de restos placentários e anemia.

Qual o esquema antibiótico empírico recomendado para endometrite puerperal?

O esquema mais comum é a combinação de Clindamicina (para anaeróbios e Gram-positivos) e Gentamicina (para Gram-negativos). A terapia deve ser mantida até a paciente estar afebril por 24-48 horas.

Como diferenciar endometrite puerperal de outras causas de febre pós-parto?

A endometrite é caracterizada por febre, dor abdominal e loquiação fétida. Outras causas incluem infecção de ferida operatória, mastite, infecção do trato urinário, tromboflebite pélvica séptica e atelectasia, que devem ser investigadas se o quadro não se encaixar ou não responder ao tratamento.

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