HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Paciente evoluiu com dor e dificuldade de deambulação no pós-parto, necessitando analgésico de resgate. No 2o dia pós-parto, apresenta temperatura oral aferida de 38,6°C. No exame clínico, está em bom estado geral e eupneica. O abdome é doloroso à palpação, com sinal de descompressão brusca negativo e ruídos hidroaéreos presentes. A ferida cirúrgica tem bom aspecto. A loquiação é fétida. A conduta inicial indicada para essa paciente é:
Febre puerperal + loquiação fétida + dor abdominal = endometrite puerperal → ATB empírico.
A febre puerperal, especialmente no 2º dia pós-parto, associada a dor abdominal e loquiação fétida, é altamente sugestiva de endometrite puerperal. A conduta inicial é a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, representando uma causa significativa de morbidade materna. É definida como uma infecção do endométrio que ocorre após o parto, geralmente manifestando-se com febre, dor abdominal e loquiação fétida. A incidência é maior após o parto cesáreo, especialmente se não houver profilaxia antibiótica adequada, e é um tema de grande importância para residentes de ginecologia e obstetrícia. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para o útero, que se torna um ambiente propício para infecção devido a traumas, restos placentários ou coágulos. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na tríade de febre (>38°C por pelo menos 24h ou em duas ocasiões após as primeiras 24h pós-parto), dor abdominal e loquiação fétida. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose, mas o tratamento não deve ser atrasado. A conduta inicial e mais importante é a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, visando cobrir os principais patógenos (anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos). O esquema clássico é Clindamicina e Gentamicina intravenosos. A melhora clínica, com a paciente afebril por 24-48 horas, geralmente indica sucesso do tratamento. Complicações raras incluem abscesso pélvico, peritonite e sepse, reforçando a necessidade de tratamento precoce e eficaz.
Os principais fatores de risco incluem parto cesáreo, trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas, múltiplos exames vaginais, corioamnionite, retenção de restos placentários e anemia.
O esquema mais comum é a combinação de Clindamicina (para anaeróbios e Gram-positivos) e Gentamicina (para Gram-negativos). A terapia deve ser mantida até a paciente estar afebril por 24-48 horas.
A endometrite é caracterizada por febre, dor abdominal e loquiação fétida. Outras causas incluem infecção de ferida operatória, mastite, infecção do trato urinário, tromboflebite pélvica séptica e atelectasia, que devem ser investigadas se o quadro não se encaixar ou não responder ao tratamento.
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