Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Tratamento Pós-Cesariana

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015

Enunciado

Puérpera no 6° dia pós-parto cesariana apresenta febre, dor abdominal discreta, astenia, anorexia e loquiação com odor fétido há cerca de 24 horas. US abdominal: distensão de alças abdominais, discreta quantidade de líquido em fundo de saco posterior; US transvaginal: útero aumentado de volume, cavidade endometrial com conteúdo líquido discreto; Hemograma: 22.000/mm³, Bt= 06. Frente ao caso, a melhor conduta:

Alternativas

  1. A) anti-térmico e analgésico; conduta expectante, pois pode-se tratar de puerpério normal.
  2. B) esvaziamento uterino e antibioticoterapia (ceftriaxone e aminoglicosídeo).
  3. C) Antibioticoterapia (aminoglicosídeo e anaerobicida).
  4. D) esvaziamento uterino e antibioticoterapia (anaerobicidaeaminoglicosídeo).
  5. E) laparotomia exploradora para limpeza de cavidade abdominal.

Pérola Clínica

Endometrite puerperal pós-cesariana = febre, dor abdominal, loquiação fétida, leucocitose → ATB (aminoglicosídeo + anaerobicida).

Resumo-Chave

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, especialmente após cesariana. O quadro clínico de febre, dor abdominal, loquiação fétida e leucocitose é altamente sugestivo. O tratamento empírico deve cobrir bactérias aeróbias e anaeróbias, sendo a combinação de aminoglicosídeo (ex: gentamicina) e anaerobicida (ex: clindamicina) a escolha padrão.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, afetando o endométrio e, por vezes, o miométrio e o paramétrio. Sua incidência é significativamente maior após o parto cesariana (até 30%) em comparação com o parto vaginal (1-3%). É uma causa importante de morbidade materna, podendo levar a complicações graves se não tratada adequadamente. A compreensão de seu diagnóstico e manejo é crucial para residentes em ginecologia e obstetrícia. O quadro clínico típico surge geralmente entre o 2º e o 10º dia pós-parto, caracterizado por febre (>38°C), dor abdominal ou pélvica, útero subinvoluído e doloroso à palpação, e loquiação purulenta ou com odor fétido. Leucocitose com desvio à esquerda é um achado laboratorial comum. A ultrassonografia pode mostrar útero aumentado com conteúdo líquido discreto na cavidade endometrial, mas o diagnóstico é essencialmente clínico. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para a cavidade uterina, facilitada por fatores como trauma tecidual e presença de restos placentários ou coágulos. O tratamento de escolha é a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve cobrir os principais patógenos aeróbios e anaeróbios. A combinação intravenosa de gentamicina (aminoglicosídeo) e clindamicina (anaerobicida) é o regime padrão ouro, com alta taxa de sucesso. A melhora clínica geralmente ocorre em 48-72 horas. Em casos refratários, deve-se considerar a possibilidade de abscesso pélvico, tromboflebite pélvica séptica ou resistência bacteriana. O esvaziamento uterino não é rotineiramente indicado, a menos que haja retenção de restos ovulares ou placentários confirmada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para endometrite puerperal?

Os principais fatores de risco incluem parto cesariana (especialmente de emergência), trabalho de parto prolongado, rotura prolongada de membranas, múltiplos exames vaginais, corioamnionite, anemia e obesidade. A cesariana é o fator de risco mais significativo.

Por que a combinação de aminoglicosídeo e anaerobicida é a escolha para endometrite?

A endometrite puerperal é geralmente polimicrobiana, envolvendo bactérias aeróbias e anaeróbias do trato genital inferior. A combinação de um aminoglicosídeo (como gentamicina) oferece excelente cobertura para gram-negativos aeróbios, enquanto um anaerobicida (como clindamicina) cobre eficazmente os anaeróbios, proporcionando um espectro amplo.

Quando considerar outras causas de febre puerperal além da endometrite?

Outras causas de febre puerperal incluem infecção do trato urinário, mastite, tromboflebite pélvica séptica, pneumonia, infecção da ferida operatória (em caso de cesariana) ou outras infecções sistêmicas. A avaliação clínica completa e exames complementares ajudam a diferenciar.

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