Endometrite Puerperal: Diagnóstico e Tratamento

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023

Enunciado

Puérpera apresenta-se com febre e dor abdominal, com útero doloroso à palpação, de consistência pastosa e hipoinvoluído. Lóquios escassos e sem odor fétido. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O esquema de tratamento mais usado é a associação de clindamicina com gentamicina, podendo associar ampicilina.
  2. B) A cultura de material do canal cervical é fundamental para a identificação do agente bacteriano e início do tratamento.
  3. C) A hemocultura é fundamental para a identificação do germe e da gravidade, sendo realizada rotineiramente em todas as suspeitas de infecção puerperal.
  4. D) A presença de leucocitose nessa paciente é indicativa de infecção puerperal, sem relação com o puerpério fisiológico.

Pérola Clínica

Endometrite puerperal: febre + útero doloroso/hipoinvoluído. Tratamento padrão = Clindamicina + Gentamicina.

Resumo-Chave

A endometrite puerperal é a infecção mais comum no puerpério, caracterizada por febre, dor abdominal e útero doloroso e hipoinvoluído. O tratamento empírico com Clindamicina e Gentamicina é o esquema de escolha devido à sua ampla cobertura para bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbias.

Contexto Educacional

A endometrite puerperal é a infecção mais comum do puerpério, geralmente ocorrendo nos primeiros 10 dias pós-parto. É uma infecção polimicrobiana que envolve a decídua, miométrio e, por vezes, paramétrio, sendo mais frequente após cesariana, parto prolongado, ruptura prolongada de membranas e múltiplos exames vaginais. A importância clínica reside no risco de progressão para sepse, abscesso pélvico e outras complicações graves se não tratada adequadamente. O diagnóstico da endometrite puerperal é clínico, baseado na tríade de febre (geralmente > 38°C), dor abdominal ou pélvica e útero doloroso à palpação e hipoinvoluído. Os lóquios podem ou não apresentar odor fétido. A leucocitose é comum no puerpério fisiológico, portanto, sua presença isolada não é diagnóstica de infecção, mas pode apoiar a suspeita clínica. O tratamento é empírico e deve ser iniciado prontamente com antibióticos de amplo espectro. O esquema mais utilizado e eficaz é a associação de Clindamicina (para anaeróbios e gram-positivos) com Gentamicina (para gram-negativos). A ampicilina pode ser adicionada para cobertura de enterococos, especialmente em casos mais graves ou se houver suspeita de resistência. A melhora clínica é esperada em 48-72 horas. Culturas (cervical ou hemocultura) são geralmente reservadas para casos atípicos, refratários ao tratamento inicial ou com sinais de sepse, para guiar a terapia antibiótica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da endometrite puerperal?

Os principais sinais e sintomas incluem febre (geralmente > 38°C), dor abdominal ou pélvica, útero doloroso à palpação e hipoinvoluído, e lóquios com odor fétido (embora nem sempre presente).

Qual o esquema antibiótico de primeira linha para endometrite puerperal?

O esquema de tratamento mais utilizado e eficaz é a associação de Clindamicina com Gentamicina, que oferece ampla cobertura contra os principais patógenos envolvidos, incluindo anaeróbios e gram-negativos.

A cultura de lóquios ou hemocultura é sempre necessária na suspeita de endometrite puerperal?

A cultura de material do canal cervical ou hemocultura não é fundamental para o início do tratamento empírico da endometrite puerperal, que deve ser imediato. Elas são reservadas para casos refratários ao tratamento inicial ou em pacientes com sepse, para guiar a terapia em situações específicas.

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