IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Puérpera, em pós-parto de cesárea por falha de indução, a qual foi realizada sem intercorrências há 7 dias, procura atendimento na unidade de emergência com queixa de sangramento vaginal aumentado, dor abdominal e febre há 2 dias. Ao exame, está em regular estado geral, descorada (2+/4+), FC 118 bpm, FR 18 ipm e PA 80x50mmHg. Seu abdome é flácido, doloroso à palpação difusa, com sinal da descompressão brusca negativa. O útero tem aspecto amolecido, sendo palpável ao nível da cicatriz umbilical. A ferida operatória está seca e sem sinais flogísticos, ainda com os pontos. Ao exame especular, nota-se loquiação aumentada, com odor fétido. Sem outras alterações.Qual exame complementar deve ser solicitado neste momento para elucidação diagnóstica do quadro da paciente?
Puérpera com febre, sangramento fétido e dor abdominal → suspeitar endometrite/restos placentários. US transvaginal é 1ª linha.
Uma puérpera com febre, sangramento vaginal aumentado e fétido, dor abdominal e sinais de instabilidade hemodinâmica sugere infecção puerperal, como endometrite, possivelmente associada a restos placentários. O ultrassom transvaginal é o exame de escolha para avaliar a cavidade uterina e guiar a conduta.
A infecção puerperal, especialmente a endometrite, é uma complicação séria do pós-parto, com maior incidência após cesariana. Caracteriza-se por febre, dor abdominal, útero subinvoluído e loquiação fétida, podendo evoluir para sepse e choque séptico se não tratada precocemente. A identificação rápida e o manejo adequado são cruciais para prevenir morbimortalidade materna. O diagnóstico da endometrite puerperal é primariamente clínico, mas exames complementares são essenciais para confirmar a extensão da infecção e identificar fatores complicadores, como a retenção de restos placentários. O ultrassom transvaginal é o método de imagem de escolha, pois oferece alta resolução para a avaliação da cavidade uterina, permitindo visualizar a presença de coágulos, restos placentários ou coleções. O tratamento envolve antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo aeróbios e anaeróbios. Em casos de retenção de restos placentários confirmada por ultrassom, pode ser necessário o esvaziamento uterino, geralmente por curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU), após a estabilização da paciente e início dos antibióticos. A monitorização hemodinâmica é fundamental, especialmente em pacientes com sinais de choque.
Os principais sinais e sintomas incluem febre persistente (>38°C), dor abdominal ou pélvica, útero subinvoluído e amolecido, loquiação fétida ou purulenta, e sangramento vaginal anormal. Pode haver taquicardia e calafrios.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (se necessário), coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, culturas) e solicitação de ultrassom transvaginal para avaliar a cavidade uterina. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro deve ser iniciado prontamente.
A retenção de restos placentários deve ser suspeitada em casos de sangramento vaginal persistente ou aumentado após o parto, especialmente se associado a dor abdominal, febre ou sinais de infecção. O ultrassom transvaginal é fundamental para confirmar a presença de material retido.
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