Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Primípara teve, há 5 dias, parto cesárea após amniorrexe prematura e segundo período de parto prolongado. Encontra-se em aleitamento materno exclusivo, refere febre 38℃ há 2 dias, acompanhada de dor pélvica e calafrios e loquiação fétida. A conduta mais adequada, considerando que a puérpera deseja manter o aleitamento exclusivo é:
Febre puerperal + dor pélvica + lóquios fétidos pós-cesárea → Endometrite polimicrobiana = Clindamicina + Gentamicina IV.
O esquema de Clindamicina e Gentamicina intravenosos é o padrão-ouro para endometrite puerperal, especialmente em casos graves ou pós-cesárea. Ele oferece ampla cobertura para a flora polimicrobiana (aeróbios Gram-negativos e anaeróbios) envolvida na infecção.
A endometrite puerperal é a infecção do endométrio e miométrio que ocorre após o parto, sendo a causa mais comum de febre no puerpério. Sua incidência é significativamente maior após parto cesárea (15-20%) em comparação com o parto vaginal (1-3%), especialmente quando há fatores de risco como trabalho de parto prolongado, amniorrexe prematura e múltiplos exames vaginais. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal e cervical para a cavidade uterina, que se encontra vulnerável após o parto. A infecção é tipicamente polimicrobiana, envolvendo aeróbios (como E. coli e Streptococcus do grupo B) e anaeróbios (como Bacteroides e Peptostreptococcus). O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre (>38°C), dor pélvica, subinvolução uterina dolorosa à palpação e loquiação purulenta ou fétida. O tratamento padrão-ouro para endometrite moderada a grave é a antibioticoterapia intravenosa com um esquema de amplo espectro, como Clindamicina (para cobertura de anaeróbios) e Gentamicina (para cobertura de Gram-negativos). O tratamento deve ser mantido até que a paciente esteja afebril por 24 a 48 horas. A maioria dos antibióticos, incluindo este esquema, é compatível com a amamentação.
Os principais fatores de risco incluem parto cesárea (principalmente de urgência), trabalho de parto prolongado, ruptura prematura de membranas, múltiplos toques vaginais, corioamnionite e monitoramento fetal interno.
Este esquema oferece ampla cobertura para a flora polimicrobiana vaginal, incluindo bactérias gram-negativas (cobertas pela Gentamicina) e anaeróbios (cobertos pela Clindamicina), que são os principais agentes etiológicos da endometrite pós-parto.
A endometrite classicamente cursa com febre, dor em hipogástrio (subinvolução uterina dolorosa) e lóquios fétidos. O diagnóstico diferencial inclui infecção de ferida operatória (sinais flogísticos locais), mastite (sinais flogísticos na mama) e infecção do trato urinário (sintomas urinários).
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