IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 30 anos de idade, procura o pronto atendimento por lipotímia, mal-estar, dor abdominal e febre axilar aferida de 39ºC. Relata que teve seu parto fórcipe por período expulsivo prolongado com necessidade de episiotomia há 4 dias, sem demais intercorrências. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, descorada 1+/4+, com pressão arterial de 98×62mmHg, frequência cardíaca de 120bpm, temperatura oral de 38,9°C e frequência respiratória de 16irpm. As mamas estão túrgidas, quentes, sem pontos de flutuação. O abdome evidencia útero amolecido, com dor à palpação abdominal e descompressão brusca negativa. O exame ginecológico mostra loquiação escurecida, pontos da episiotomia em bom estado, bordas bem coaptadas, sem sinais flogísticos. O restante do exame físico está normal. A ultrassonografia transvaginal evidencia espessura endometrial de 11mm e sinais de hematoma. Os exames laboratoriais mostram: Hb 11,5g/dL; leucócitos 15.350/mm³; PCR 25mg/dL; lactato 2mmol/L. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta para esse caso?
Endometrite puerperal: febre + dor abdominal + útero amolecido + loquiação alterada. Tratamento = Clindamicina + Gentamicina IV.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum após o parto, caracterizada por febre, dor abdominal e útero subinvoluído e doloroso. O tratamento empírico de escolha é a combinação de clindamicina e gentamicina intravenosa, cobrindo anaeróbios e gram-negativos.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum no pós-parto, afetando o endométrio e miométrio. Sua incidência é maior após cesarianas e partos com múltiplos toques vaginais, mas também pode ocorrer após parto vaginal, especialmente se houver fatores de risco como período expulsivo prolongado ou episiotomia. É crucial para o residente reconhecer essa condição para evitar complicações graves como sepse. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal e intestinal para o útero. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de febre (>38°C) após as primeiras 24 horas pós-parto, dor abdominal e útero amolecido e doloroso à palpação. Exames laboratoriais como hemograma (leucocitose) e PCR elevado auxiliam, e a ultrassonografia pode mostrar espessamento endometrial ou restos placentários, embora não seja diagnóstica por si só. O tratamento padrão é a antibioticoterapia intravenosa com clindamicina (para anaeróbios e gram-positivos) e gentamicina (para gram-negativos), mantida até a paciente permanecer afebril por 24 a 48 horas. A curetagem puerperal é reservada para casos com retenção de restos placentários confirmada e persistência da febre após antibioticoterapia adequada.
Os principais sinais incluem febre persistente após 24 horas do parto, dor abdominal, útero amolecido e doloroso à palpação, e loquiação purulenta ou fétida.
O tratamento de primeira linha é a antibioticoterapia intravenosa com clindamicina associada à gentamicina, cobrindo um amplo espectro de bactérias, incluindo anaeróbios.
A endometrite se manifesta com foco uterino (dor, amolecimento, loquiação). Outras infecções podem ter focos diferentes, como mastite (mama) ou infecção de ferida operatória (episiotomia, cesariana).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo