INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher no 10° dia pós-parto vaginal sem episiotomia, comparece à Unidade de Emergência referindo febre de até 38,5°C, dor abdominal e sangramento vaginal aumentado, de odor fétido. Ao exame, apresentou pressão arterial = 100 x 60 mmHg, temperatura axilar = 38°C, frequência cardíaca = 105 bpm, dor à palpação do abdome em hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal, e útero palpável ao nível da cicatriz umbilical. Ao exame especular, foram observados sangue coletado em fundo vaginal e pequena quantidade de membranas em orifício cervical externo. Ao toque vaginal, a paciente apresentou colo pérvio e dor à mobilização do colo uterino. Qual a conduta mais adequada para o caso?
Febre + útero doloroso + loquiação fétida + restos ovulares = Endometrite (Tratar: ATB IV + Curetagem).
A endometrite puerperal com retenção de restos exige internação para antibioticoterapia venosa de amplo espectro e esvaziamento uterino imediato.
A endometrite é a causa mais comum de febre puerperal, sendo mais frequente após cesarianas, mas também ocorrendo em partos vaginais, especialmente se houver retenção de tecidos placentários. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para o endométrio decidualizado. O manejo clínico exige vigilância hemodinâmica e intervenção rápida. A presença de membranas no orifício cervical e útero ao nível da cicatriz umbilical no 10º dia (subinvolução) confirma a necessidade de esvaziamento uterino. A antibioticoterapia deve ser mantida até que a paciente esteja afebril e assintomática por 24 a 48 horas.
O esquema padrão-ouro é a associação de Clindamicina (900mg IV a cada 8 horas) e Gentamicina (1,5mg/kg IV a cada 8 horas ou 5mg/kg dose única diária). Este esquema cobre a flora polimicrobiana comum, incluindo anaeróbios e gram-negativos da via vaginal.
A curetagem uterina está indicada sempre que houver suspeita ou evidência ultrassonográfica/clínica de restos ovulares (como membranas no colo ou útero subinvoluído com sangramento aumentado). O esvaziamento é fundamental para remover o foco infeccioso e permitir a eficácia dos antibióticos.
A tríade clássica inclui febre (geralmente no 2º ao 10º dia pós-parto), dor abdominal/uterina à palpação e mobilização do colo, e loquiação fétida ou purulenta. O útero costuma estar amolecido e com involução mais lenta que o esperado para o período.
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