UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 38a, primípara, comparece à Unidade Básica de Saúde no oitavo dia de puerpério, referindo febre e dor abdominal há dois dias. Está em amamentação exclusiva, sem queixas mamárias. Refere hábito intestinal e urinário sem alterações. Antecedentes: diabetes gestacional, tratada com dieta e atividade física; o parto foi cesárea por desproporção cefalopélvica. Exame físico: bom estado geral; descorada 2+/4+; hidratada; eupneica; T=38ºC; PA=124x82mmHg; FC=124bpm; FR=18irpm. Mamas=lactantes, sem alterações; cardiopulmonar: sem alterações; abdome: flácido, ruídos hidroaéreos presentes, descompressão brusca negativa, ausência de massas palpáveis; presença de útero amolecido, palpável 1cm abaixo da cicatriz umbilical, dolorido à palpação. Cicatriz de cesárea seca, sem sinais flogísticos. Especular: presença de lóquio rubro em moderada quantidade. Toque vaginal: colo uterino pérvio para 1 polpa digital, com dor à mobilização. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Puerpério febril + útero doloroso + taquicardia pós-cesariana = alta suspeita de endometrite puerperal.
A paciente apresenta um quadro clássico de endometrite puerperal, uma infecção do endométrio após o parto. Os sinais incluem febre, dor abdominal, taquicardia, útero amolecido e doloroso à palpação, e lóquios com características alteradas (embora aqui seja rubro, a dor e febre são proeminentes). A cesariana é um fator de risco importante.
A endometrite puerperal é a infecção mais comum do puerpério, afetando o endométrio e, por vezes, o miométrio e paramétrio. Sua incidência é maior após cesariana, especialmente em casos de trabalho de parto prolongado, ruptura prolongada de membranas ou múltiplos toques vaginais. É uma condição séria que pode levar a complicações como sepse se não tratada adequadamente. O diagnóstico é essencialmente clínico. A paciente tipicamente apresenta febre (temperatura ≥ 38°C), dor abdominal ou pélvica, taquicardia e um útero amolecido e doloroso à palpação. Os lóquios podem estar alterados (fétidos, purulentos), mas nem sempre. No caso apresentado, a febre, taquicardia e útero doloroso em uma paciente pós-cesariana no 8º dia de puerpério são altamente sugestivos. O tratamento da endometrite puerperal é feito com antibióticos de amplo espectro, geralmente intravenosos, cobrindo bactérias aeróbias e anaeróbias da flora genital. A escolha do regime antibiótico deve considerar a gravidade do quadro e os padrões de resistência locais. A profilaxia antibiótica na cesariana é uma medida eficaz para reduzir a incidência dessa complicação.
Os principais sinais e sintomas incluem febre, dor abdominal ou pélvica, taquicardia, útero amolecido e doloroso à palpação, e lóquios com odor fétido ou purulentos (embora nem sempre presentes).
A cesariana é o principal fator de risco para endometrite puerperal, especialmente se realizada após o início do trabalho de parto ou com ruptura prolongada de membranas.
A endometrite puerperal se caracteriza pela dor uterina e febre. Outras causas incluem infecção urinária (disúria, polaciúria), mastite (dor e sinais flogísticos na mama) ou infecção de ferida operatória (sinais locais na incisão).
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