Endometrioma e Infertilidade: Exérese da Cápsula Ovariana

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

M.M.S., 29 anos, nuligesta, apresenta dor pélvica crônica e infertilidade há 3 anos. Submetida à videolaparoscopia, com diagnóstico de endometriose severa, com endometrioma de 5 cm em OE e teste de Cotté positivo à histerossalpingografia. Parceiro com espermograma sem anormalidades. Casal sem condições financeiras para reprodução assistida. De acordo com o caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A exérese da cápsula do endometrioma pode melhorar a fecundidade da paciente e reduzir o risco da ocorrência do cisto.
  2. B) Após a exérese do endometrioma, deve-se prescrever agonista GnRH com a finalidade de melhorar a fertilidade da paciente.
  3. C) Não se recomenda a exérese ou o esvaziamento do endometrioma nessa primeira abordagem cirúrgica.
  4. D) A drenagem e a eletrocauterização da pseudocápsula do endometrioma é mais efetiva do que a exérese da cápsula em termos de melhora da fertilidade.
  5. E) O drilling ovariano seria a melhor alternativa no tratamento desse caso.

Pérola Clínica

Endometrioma > 3 cm em infertilidade → exérese da cápsula melhora fertilidade e reduz recorrência.

Resumo-Chave

Em pacientes com endometriose severa e infertilidade, especialmente com endometriomas ovarianos maiores que 3 cm, a exérese cirúrgica da cápsula do endometrioma é a abordagem mais eficaz para melhorar as taxas de gravidez espontânea e reduzir a recorrência do cisto, superando a drenagem e cauterização.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva. A endometriose severa, frequentemente associada a endometriomas ovarianos, é uma causa importante de dor pélvica crônica e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia da infertilidade na endometriose é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas (aderências, distorção da anatomia pélvica), inflamação crônica, disfunção ovariana e peritoneal, e alterações na qualidade dos oócitos e embriões. O endometrioma ovariano, um cisto preenchido por sangue antigo ("cisto de chocolate"), pode comprometer o parênquima ovariano e a reserva folicular. O tratamento da infertilidade associada à endometriose severa e endometriomas é complexo. Para endometriomas maiores que 3-4 cm em pacientes inférteis, a exérese cirúrgica da cápsula do endometrioma por videolaparoscopia é a técnica de escolha. Estudos demonstram que essa abordagem melhora as taxas de gravidez espontânea e reduz a recorrência do cisto, sendo superior à drenagem e eletrocauterização, que podem danificar o tecido ovariano adjacente e não removem completamente o tecido endometriótico. O uso de agonistas GnRH pós-cirurgia é para dor e recorrência, não para fertilidade.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da exérese da cápsula do endometrioma na infertilidade?

A exérese completa da cápsula do endometrioma remove o tecido endometriótico e melhora a função ovariana, aumentando as chances de gravidez espontânea e reduzindo a recorrência do cisto, sendo superior à drenagem e cauterização.

O uso de agonistas GnRH após a cirurgia de endometrioma melhora a fertilidade?

Não, o uso de agonistas GnRH no pós-operatório da endometriose tem como objetivo reduzir a dor e a recorrência da doença, mas não demonstrou melhorar as taxas de fertilidade em pacientes que buscam engravidar.

Por que o drilling ovariano não é a melhor alternativa para endometrioma?

O drilling ovariano é uma técnica utilizada principalmente para a Síndrome dos Ovários Policísticos. Para endometriomas, ele não é eficaz e pode causar dano desnecessário ao tecido ovariano saudável, não sendo recomendado.

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