UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022
Mulher de 29 anos, sem comorbidades, comparece à consulta com queixa de infertilidade e dismenorreia desde a adolescência. Tentando engravidar há três anos, relata nunca ter utilizado contraceptivos hormonais. Traz resultado de ressonância nuclear magnética da pelve, que evidencia estenose ureteral distal e endometriose profunda. O tratamento indicado é:
Endometriose profunda com infertilidade e estenose ureteral → abordagem cirúrgica laparoscópica.
Em casos de endometriose profunda associada à infertilidade e comprometimento de órgãos (como estenose ureteral), a abordagem cirúrgica por laparoscopia é o tratamento de escolha. Terapias hormonais podem aliviar a dor, mas não resolvem a infertilidade ou as lesões infiltrativas profundas.
A endometriose profunda é uma condição crônica e progressiva que afeta milhões de mulheres, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, infiltrando mais de 5 mm na superfície peritoneal ou em órgãos como intestino, bexiga e ureteres. Sua prevalência é alta em mulheres com dor pélvica crônica e infertilidade, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes de ginecologia e cirurgia. A fisiopatologia envolve inflamação crônica, fibrose e distorção anatômica, que podem levar a sintomas debilitantes e comprometimento da fertilidade. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e confirmado por exames de imagem como a ressonância nuclear magnética da pelve. A presença de estenose ureteral indica um estágio avançado da doença e a necessidade de intervenção para evitar danos renais. O tratamento da endometriose profunda com infertilidade e comprometimento de órgãos é predominantemente cirúrgico, com a laparoscopia sendo a via preferencial. O objetivo é a excisão completa das lesões, alívio da dor, melhora da fertilidade e preservação da função orgânica. A terapia hormonal pode ser utilizada no pós-operatório ou em casos sem indicação cirúrgica para controle da dor, mas não é a solução para a infertilidade ou lesões infiltrativas.
A endometriose profunda pode manifestar-se com dismenorreia intensa, dor pélvica crônica, dispareunia profunda, sintomas intestinais ou urinários cíclicos, e infertilidade. A dor geralmente não melhora com analgésicos comuns.
A cirurgia laparoscópica visa remover as lesões endometrióticas, restaurar a anatomia pélvica e melhorar a função dos órgãos, aumentando as chances de gravidez. Em casos de estenose ureteral, a cirurgia é crucial para preservar a função renal.
As opções incluem analgésicos para dor, terapia hormonal (contraceptivos orais combinados, progestagênios, análogos de GnRH) para suprimir o crescimento do tecido endometrial e reduzir a dor. No entanto, essas opções não tratam a infertilidade ou lesões infiltrativas profundas de forma definitiva.
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