Endometriose Profunda: Dor Pélvica Pós-Histerectomia por Adenomiose

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 43 anos, apresenta menometrorragia, dismenorreia e dor pélvica. A ultrassonografia transvaginal mostra útero globoso, volume de 350 cm³ e miomatose incipiente. Submete-se a uma histerectomia subtotal abdominal por apresentar aderências em fundo de saco de Douglas. Dois meses depois, ela retorna com laudo anatomopatológico de adenomiose do útero e queixa de agravo da dor pélvica e da dispareunia. Qual o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Endometriose profunda.
  2. B) Aderências cirúrgicas.
  3. C) Infecção urinária.
  4. D) Hematoma de cúpula vaginal.
  5. E) Cervicite.

Pérola Clínica

Dor pélvica/dispareunia persistente pós-histerectomia por adenomiose → Suspeitar de endometriose profunda coexistente.

Resumo-Chave

A adenomiose e a endometriose frequentemente coexistem. A histerectomia subtotal (que deixa o colo uterino) pode não resolver a dor pélvica se houver focos de endometriose fora do útero ou no colo residual. A persistência e o agravamento da dor pélvica e dispareunia após a cirurgia sugerem endometriose profunda não tratada ou residual.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Ela frequentemente se manifesta com menometrorragia (sangramento uterino anormal), dismenorreia (cólicas menstruais intensas) e dor pélvica crônica. A ultrassonografia transvaginal pode revelar um útero globoso e aumentado de volume, com características miometriais heterogêneas. A adenomiose frequentemente coexiste com a endometriose, uma condição em que o tecido endometrial é encontrado fora do útero. Em casos de adenomiose refratária ao tratamento clínico, a histerectomia é o tratamento definitivo. No entanto, se a histerectomia for subtotal (deixando o colo uterino) e a paciente também tiver endometriose (especialmente a profunda), a remoção apenas do corpo uterino pode não resolver todos os sintomas. A endometriose profunda pode afetar ligamentos uterossacros, septo retovaginal, intestino ou bexiga, e esses focos não seriam removidos por uma histerectomia subtotal. O retorno da paciente com agravo da dor pélvica e dispareunia dois meses após a histerectomia subtotal por adenomiose, especialmente com um histórico de sintomas sugestivos, levanta forte suspeita de endometriose profunda residual ou progressiva. O diagnóstico requer uma avaliação clínica detalhada e pode ser confirmado por exames de imagem especializados (como ressonância magnética pélvica) e, em última instância, por laparoscopia com biópsia. O manejo subsequente pode envolver tratamento hormonal ou cirurgia excisional para remover os focos de endometriose profunda.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre adenomiose e endometriose?

Adenomiose e endometriose são condições distintas, mas frequentemente coexistem. Ambas envolvem tecido endometrial fora de sua localização normal (endometriose) ou dentro do miométrio (adenomiose), compartilhando mecanismos fisiopatológicos e sintomas como dor pélvica e sangramento uterino anormal.

Por que a dor pélvica e a dispareunia podem piorar após uma histerectomia subtotal por adenomiose?

Se a paciente tinha endometriose coexistente que não foi completamente excisada durante a histerectomia, ou se o colo uterino residual ainda contém tecido adenomiótico ou endometriótico, os sintomas de dor pélvica e dispareunia podem persistir ou até piorar devido à progressão da doença ou à formação de novas aderências.

Como é feito o diagnóstico de endometriose profunda após histerectomia?

O diagnóstico é clínico, baseado na persistência dos sintomas, e pode ser apoiado por exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética pélvica, que podem identificar focos de endometriose profunda, especialmente em ligamentos uterossacros, septo retovaginal ou intestino. A confirmação definitiva é histopatológica.

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