Endometriose Profunda: Diagnóstico e Infiltração Vesical

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Camila, 31 anos, nuligesta, comparece ao consultório com queixa de dor pélvica crônica e dismenorreia intensa, com nota 9 em 10 na escala visual analógica, que apresenta caráter progressivo e refratariedade ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais e anticoncepcionais orais combinados. Relata ainda dispareunia de profundidade e, mais recentemente, episódios de disúria e hematúria macroscópica coincidentes com o período menstrual. Ao exame físico, observa-se útero retroversofletido, com mobilidade reduzida e presença de nodularidade dolorosa palpável em fundo de saco anterior e região retrocervical. O toque vaginal bimanual confirma o espessamento de ligamentos uterossacros. Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e o exame complementar mais indicado para o planejamento cirúrgico minucioso:

Alternativas

  1. A) Cistite intersticial crônica; Cistoscopia com hidrodistensão vesical.
  2. B) Endometriose peritoneal superficial; Videolaparoscopia diagnóstica imediata.
  3. C) Adenomiose focal; Histerossonografia com Doppler colorido.
  4. D) Endometriose profunda com infiltração vesical; Ressonância Magnética de pelve com protocolo específico.

Pérola Clínica

Disúria + hematúria cíclica + nódulo em fundo de saco → Endometriose profunda com invasão vesical.

Resumo-Chave

A endometriose profunda infiltrativa envolve lesões >5mm. O acometimento vesical justifica sintomas urinários cíclicos, exigindo RM ou USG com preparo para planejamento cirúrgico.

Contexto Educacional

A endometriose profunda é uma doença complexa que exige abordagem multidisciplinar. O envolvimento do trato urinário ocorre em cerca de 1% a 6% das mulheres com endometriose, sendo a bexiga o local mais comum (85% dos casos urinários). A fisiopatologia envolve a implantação de células endometriais no espaço vesicouterino, que progridem para a invasão da parede vesical. O quadro clínico clássico de disúria e hematúria catamenial deve sempre alertar o ginecologista para esta possibilidade. O padrão-ouro para o planejamento cirúrgico envolve exames de imagem de alta resolução. A RM de pelve destaca-se pela alta sensibilidade e especificidade na detecção de focos retrocervicais e vesicais. O tratamento cirúrgico visa a exérese completa dos focos para melhora da dor e preservação da função orgânica, sendo a videolaparoscopia a via preferencial.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para definir endometriose profunda?

A endometriose profunda é definida pela presença de implantes de tecido endometrial que penetram no peritônio a uma profundidade superior a 5 mm. Diferente da forma superficial, a profunda frequentemente envolve órgãos adjacentes como os ligamentos uterossacros, o reto-sigmoide, a bexiga e os ureteres. O diagnóstico clínico é sugerido por dor pélvica intensa, dismenorreia progressiva e dispareunia de profundidade, sendo confirmado por exames de imagem especializados como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética da pelve com protocolo específico para mapeamento de focos.

Como diferenciar a endometriose vesical da cistite intersticial?

A principal pista clínica é a ciclicidade dos sintomas. Na endometriose vesical, a disúria, a urgência miccional e a hematúria ocorrem ou se intensificam significativamente durante o período menstrual (sintomas catameniais). Na cistite intersticial, a dor é crônica e muitas vezes aliviada pela micção, sem uma relação tão estrita com o ciclo hormonal. Além disso, o exame físico na endometriose pode revelar nodularidades no fundo de saco anterior, e a RM de pelve demonstra o espessamento ou nódulo na parede posterior da bexiga, o que não é observado na cistite intersticial.

Qual o papel da RM no planejamento cirúrgico da endometriose?

A Ressonância Magnética (RM) com protocolo específico (incluindo gel vaginal e retal) é fundamental para o mapeamento pré-operatório. Ela permite avaliar a extensão da infiltração, o número de lesões e o envolvimento de estruturas nobres como ureteres e plexos nervosos. No caso de infiltração vesical, a RM define a distância da lesão em relação aos meatos ureterais e a profundidade do acometimento da muscular da bexiga, informações cruciais para decidir entre uma cistectomia parcial ou apenas a ressecção do nódulo (shaving), minimizando riscos de complicações pós-operatórias.

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