UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Mulher, 30a, nuligesta, com quadro de dismenorreia incapacitante e dispareunia de profundidade há cinco anos. Refere ciclos menstruais regulares sem uso de método contraceptivo. Ressonância magnética de pelve: lesão retrátil em região retrocervical que envolve a camada serosa/muscular do reto alto e a parede posterior do útero/colo, medindo 1,4 x 1,0 cm. Ovários medianizados, com lesões císticas de conteúdo hemorrágico multiloculadas com septos finos de permeio e paredes finas, com grumos depositados no interior das lesões que medem respectivamente 1,6 x 0,9 cm e 1,1 x 0,8 cm; ausência de ascite.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Dismenorreia incapacitante + dispareunia profunda + lesões retrocervicais/cistos hemorrágicos em RM = Endometriose Profunda.
O quadro clínico de dismenorreia incapacitante e dispareunia de profundidade, associado a achados de ressonância magnética de lesões retráteis retrocervicais e cistos ovarianos com conteúdo hemorrágico (endometriomas), é altamente sugestivo de endometriose profunda.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva. A endometriose profunda é uma forma mais grave, com implantes que penetram mais de 5 mm na superfície peritoneal ou envolvem órgãos como intestino, bexiga e ligamentos uterossacros. O quadro clínico típico inclui dismenorreia severa e progressiva, dispareunia de profundidade e dor pélvica crônica, que impactam significativamente a qualidade de vida. A infertilidade é uma complicação comum. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica e confirmado por exames de imagem, como a ressonância magnética de pelve, que pode identificar lesões infiltrativas e endometriomas ovarianos, caracterizados por cistos com conteúdo hemorrágico. O tratamento da endometriose profunda pode ser clínico, com hormônios para suprimir o crescimento do tecido endometrial, ou cirúrgico, para excisão das lesões. A escolha depende da gravidade dos sintomas, desejo de gravidez e extensão da doença. O manejo é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar para aliviar a dor, preservar a fertilidade e melhorar a qualidade de vida da paciente.
Os sintomas clássicos da endometriose profunda incluem dismenorreia incapacitante (dor menstrual intensa), dispareunia de profundidade (dor durante a relação sexual profunda), dor pélvica crônica, e, em alguns casos, sintomas intestinais ou urinários cíclicos, além de infertilidade.
A ressonância magnética de pelve é um exame de imagem crucial para o diagnóstico e estadiamento da endometriose, permitindo identificar lesões infiltrativas profundas, endometriomas ovarianos e aderências, com alta sensibilidade e especificidade.
Cistos hemorrágicos ovarianos são geralmente funcionais e se resolvem espontaneamente, enquanto os endometriomas são cistos ovarianos específicos da endometriose, contendo sangue antigo ("chocolate"), que não regridem e são indicativos da doença. A presença de lesões extra-ovarianas e sintomas crônicos diferencia a endometriose.
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