Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
B.C.G., 34 anos, casada, tentando engravidar há 2 anos. Nega sintomas relacionados à endometriose. Em pesquisa básica para infertilidade, nada foi encontrado. Apresenta ciclos menstruais regulares. Ao exame físico: nódulo em região retrocervical, doloroso ao toque, com leve redução da mobilidade uterina. Com relação ao caso, assinale o exame ou procedimento que, a princípio, deve ser indicado para proceder à investigação dos achados do exame físico.
Nódulo retrocervical doloroso + infertilidade → USG transvaginal com preparo intestinal para endometriose profunda.
A suspeita de endometriose profunda, especialmente com achados de nódulo retrocervical e redução da mobilidade uterina ao exame físico, exige uma investigação por imagem especializada. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o método de escolha por sua alta acurácia na detecção de lesões profundas, incluindo as de septo retovaginal e intestino.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua apresentação clínica é heterogênea, variando de dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade, até casos assintomáticos. A endometriose profunda, que envolve o peritônio a mais de 5 mm de profundidade ou órgãos como intestino e bexiga, é particularmente desafiadora no diagnóstico e manejo. O diagnóstico da endometriose profunda requer uma combinação de história clínica, exame físico detalhado e exames de imagem. O exame físico pode revelar achados como nódulos dolorosos na região retrocervical ou nos ligamentos uterossacros, e redução da mobilidade uterina. Nesses casos, o ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o exame de imagem de primeira linha, devido à sua alta acurácia na identificação de lesões profundas, superando a ressonância magnética em alguns aspectos, especialmente para lesões intestinais. O tratamento da endometriose visa aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e, quando necessário, restaurar a fertilidade. As opções incluem terapia hormonal para suprimir o crescimento do tecido endometrial e cirurgia para remover as lesões. A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, localização das lesões, desejo de gravidez e idade da paciente. O manejo da infertilidade associada à endometriose pode envolver técnicas de reprodução assistida.
Ao exame físico, a endometriose profunda pode se manifestar como nódulos dolorosos em ligamentos uterossacros ou região retrocervical, fixação uterina e dor à mobilização do colo.
O preparo intestinal reduz artefatos gasosos e melhora a visualização de lesões endometrióticas no septo retovaginal, intestino e outros locais profundos, aumentando a sensibilidade e especificidade do exame.
Sim, a endometriose pode ser uma causa importante de infertilidade mesmo em pacientes assintomáticas para dor, afetando a anatomia pélvica, a função ovariana e a qualidade dos óvulos.
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