HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Mulher, 32 anos de idade, vai em consulta ginecológica devido a dismenorreia progressiva desde a menarca e dispareunia. Ao exame físico nota-se espessamento do septo retovaginal. A paciente trouxe uma ultrassonografia transvaginal que caracterizava presença de cisto com conteúdo hemático no ovário direito, medindo 30 mm de diâmetro. O próximo passo propedêutico é:
Dismenorreia progressiva + dispareunia + espessamento septo retovaginal + endometrioma → suspeitar endometriose profunda; RM de pelve para estadiamento.
A apresentação clínica de dismenorreia progressiva, dispareunia, achados de exame físico como espessamento do septo retovaginal e ultrassonografia com cisto ovariano de conteúdo hemático (endometrioma) são altamente sugestivos de endometriose, especialmente a profunda. A ressonância magnética de pelve é o próximo passo propedêutico para mapear a extensão da doença, identificar outros focos e planejar o tratamento.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando uma reação inflamatória. Afeta mulheres em idade reprodutiva e manifesta-se com uma variedade de sintomas, sendo os mais comuns a dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica e dispareunia. A presença de espessamento do septo retovaginal ao exame físico e um cisto ovariano com conteúdo hemático (endometrioma) na ultrassonografia transvaginal são achados altamente sugestivos de endometriose, particularmente da forma profunda. A endometriose profunda é uma forma mais grave da doença, onde as lesões infiltram mais de 5 mm na superfície peritoneal ou envolvem órgãos como intestino, bexiga e ureteres. O diagnóstico e o estadiamento precisos são fundamentais para o planejamento terapêutico. Embora a ultrassonografia transvaginal seja um excelente exame de triagem, a ressonância magnética (RM) de pelve é considerada o padrão ouro não invasivo para o mapeamento da endometriose profunda. A RM de pelve permite uma avaliação detalhada da extensão da doença, identificando focos em locais de difícil acesso pela ultrassonografia, como o septo retovaginal, ligamentos uterossacros, parede intestinal e bexiga. Essa informação é crucial para o cirurgião planejar a abordagem cirúrgica, que muitas vezes é complexa e exige uma equipe multidisciplinar. O tratamento da endometriose pode envolver manejo da dor, terapia hormonal e cirurgia, dependendo da gravidade dos sintomas, localização das lesões e desejo de gravidez.
Os sintomas clássicos da endometriose incluem dismenorreia (dor menstrual) progressiva e intensa, dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual), infertilidade e sintomas intestinais ou urinários cíclicos.
A ultrassonografia transvaginal é o exame de primeira linha para a suspeita de endometriose, especialmente para identificar endometriomas ovarianos e alguns focos de endometriose profunda, mas sua sensibilidade pode ser limitada para lesões menores ou em locais específicos.
A ressonância magnética de pelve é crucial para o mapeamento detalhado da endometriose profunda, permitindo identificar lesões em locais como septo retovaginal, ligamentos uterossacros, intestino e bexiga, que podem não ser bem visualizadas por ultrassonografia, auxiliando no planejamento cirúrgico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo