UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023
Mulher de 35 anos, sem desejo reprodutivo, apresenta disquesia e dismenorreia incapacitante cíclicas, com controle álgico apropriado em vigência de tratamento medicamentoso. US transvaginal com preparo intestinal: nódulo de 1 cm em ligamento útero-sacro esquerdo acometendo camada serosa da parede do retossigmoide. De acordo com o ECO sistema para abordagem de pacientes com endometriose, é indicado tratamento
Endometriose profunda com sintomas incapacitantes e acometimento retossigmoide → Tratamento clínico em serviço de referência.
Pacientes com endometriose profunda, especialmente com acometimento intestinal e sintomas incapacitantes, devem ser manejadas em serviços de referência. O tratamento inicial é frequentemente clínico, visando controle da dor e progressão da doença, com cirurgia reservada para falha do tratamento clínico ou casos específicos e bem selecionados.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A endometriose profunda é uma forma mais grave, definida pela infiltração de lesões endometrióticas a mais de 5 mm da superfície peritoneal, frequentemente acometendo órgãos como o intestino (retossigmoide), bexiga e ligamentos uterossacros. A importância clínica reside na dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade que causa, impactando significativamente a qualidade de vida. A fisiopatologia da endometriose é multifatorial, envolvendo teorias como a menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/vascular. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pelos sintomas e confirmado por exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética pélvica, que podem identificar nódulos e infiltrações. A suspeita deve ser alta em mulheres com dismenorreia incapacitante, dor pélvica crônica e disquesia. O tratamento da endometriose profunda é complexo e deve ser individualizado, preferencialmente em um serviço de referência. O tratamento inicial é frequentemente clínico, utilizando terapias hormonais (contraceptivos orais, progestagênios, análogos de GnRH) para suprimir a atividade estrogênica e controlar os sintomas. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento clínico, lesões obstrutivas, ou quando há desejo de gravidez e outras opções falharam. A abordagem cirúrgica para endometriose intestinal é complexa e exige equipe experiente.
Os sintomas incluem disquesia (dor ao evacuar), dismenorreia incapacitante, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual (dispareunia profunda) e, em casos mais avançados, sangramento retal cíclico, especialmente durante a menstruação.
O tratamento clínico visa controlar a dor, suprimir o crescimento dos implantes endometrióticos e preservar a fertilidade, evitando os riscos e a morbidade de uma cirurgia complexa, que pode ser postergada ou evitada em muitos casos, melhorando a qualidade de vida da paciente.
Um serviço de referência é um centro especializado com equipe multidisciplinar (ginecologistas, cirurgiões colorretais, radiologistas, especialistas em dor) e recursos avançados para o diagnóstico e tratamento complexo da endometriose profunda, oferecendo uma abordagem integral.
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