Endometriose e Infertilidade: Diagnóstico e Conduta Clínica

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 34 anos de idade, nuligesta, casada, tenta engravidar há 1 ano e 6 meses sem sucesso. Nega comorbidades. Refere ciclos menstruais regulares, durando 5 dias com fluxo normal, porém com dismenorreia leve. Também queixa de dispareunia de profundidade. Nega outros sintomas. Ao exame especular, conteúdo vaginal fisiológico e colo sem alterações. Ao toque vaginal, útero em anteroversoflexão, de volume normal, desconforto à mobilização do colo. Ausência de dor à palpação de anexos. Em ultrassonografia transvaginal realizada pela paciente, foi visualizada formação tecidual hipoecóica alongada e irregular, envolvendo o ligamento uterossacro esquerdo medindo 2,0cm x 1,2cm x 0,6cm. Ovário esquerdo apresentando formação cística e arredondada de contornos regulares e conteúdo espesso, homogêneo, em vidro fosco de 1,5cm. Com base nesses achados, é correto o que se afirma em:

Alternativas

  1. A) O CA125 é um marcador tumoral específico para endometriose, tendo indicação de avaliação neste caso.
  2. B) Com tais achados ultrassonográficos, a paciente tem indicação de tratamento cirúrgico.
  3. C) A ultrassonografia transvaginal não é um exame eficaz na investigação inicial de infertilidade, sendo necessária a realização de ressonância pélvica para melhor elucidação dos achados.
  4. D) Os achados ultrassonográficos são compatíveis com endometriose e podem justificar a infertilidade, porém não há indicação para tratamento cirúrgico no momento.

Pérola Clínica

Endometrioma (vidro fosco) + lesão em uterossacro = Endometriose; cirurgia depende de sintomas e desejo reprodutivo.

Resumo-Chave

A endometriose justifica a infertilidade e dor pélvica, mas o achado de pequenos endometriomas (<4cm) e sintomas leves não impõe tratamento cirúrgico imediato.

Contexto Educacional

A endometriose é definida pela presença de tecido estromal e glandular endometrial fora da cavidade uterina, gerando uma resposta inflamatória crônica. Acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e até 50% daquelas com infertilidade. A fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada de Sampson, associada a fatores genéticos e imunológicos que permitem a implantação e crescimento ectópico. O diagnóstico padrão-ouro é a visualização direta por laparoscopia com biópsia, mas a ultrassonografia com preparo intestinal e a ressonância magnética atingiram alta acurácia para mapeamento da doença profunda. O manejo clínico foca no controle da dor através de bloqueio hormonal (progestágenos, análogos de GnRH, combinados), enquanto o manejo da infertilidade deve ponderar a idade da paciente, reserva ovariana e tempo de tentativa, muitas vezes priorizando técnicas de alta complexidade em detrimento de múltiplas abordagens cirúrgicas que podem exaurir o estoque folicular.

Perguntas Frequentes

Qual o achado ultrassonográfico típico do endometrioma?

O endometrioma ovariano apresenta-se classicamente na ultrassonografia transvaginal como uma formação cística de contornos regulares com conteúdo hipoecoico, homogêneo, apresentando ecos internos finos, frequentemente descrito como aspecto em 'vidro fosco' ou 'ground-glass'. Este padrão é altamente sugestivo da patologia, embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico. É fundamental diferenciar de cistos hemorrágicos funcionais, que costumam regredir em ciclos subsequentes.

O CA-125 é útil no diagnóstico de endometriose?

O CA-125 é um marcador com baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de endometriose. Embora possa estar elevado em casos de doença avançada (estágios III e IV), ele também se eleva em diversas outras condições, como miomas, DIP, gravidez e neoplasias ovarianas. Portanto, não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico, servindo mais para acompanhamento pós-operatório ou em casos selecionados, mas nunca como padrão-ouro.

Quando indicar cirurgia na endometriose com infertilidade?

A indicação cirúrgica na endometriose deve ser individualizada. Considera-se a cirurgia (preferencialmente laparoscopia) em casos de dor refratária ao tratamento clínico, obstruções ureterais ou intestinais, ou quando o endometrioma é volumoso (>4-6 cm). No contexto da infertilidade, a cirurgia pode melhorar as taxas de gestação natural em estágios iniciais, mas em casos avançados ou com baixa reserva ovariana, a reprodução assistida (FIV) pode ser a primeira escolha para evitar danos adicionais ao parênquima ovariano.

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