MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 34 anos, nuligesta, apresenta queixa de dismenorreia intensa (escala visual analógica 9/10), dispareunia de profundidade e dor pélvica acentuada durante o período menstrual há cerca de dois anos. Relata desejo de gestação para o próximo ano, mas atualmente utiliza preservativo como método de barreira. Ao exame físico ginecológico, observa-se útero em retroflexão com mobilidade reduzida e presença de um nódulo endurecido e doloroso palpável em fórnice vaginal posterior. A paciente trouxe um exame de ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, que evidenciou uma lesão nodular hipoecoica de 2,2 cm em região de parede anterior do reto, infiltrando a camada muscular, sem sinais de estenose luminal ou comprometimento de outros órgãos. Os ovários apresentam volume e ecogenicidade preservados. Com base no quadro clínico e nos conhecimentos sobre endometriose profunda, assinale a alternativa correta.
Endometriose profunda: o tratamento clínico controla a dor, mas não trata a infertilidade.
O manejo da endometriose profunda foca no controle sintomático; a cirurgia é reservada para falha clínica ou obstruções, não sendo obrigatória apenas pela presença de infiltração muscular.
A endometriose profunda é definida pela infiltração do peritônio ou órgãos pélvicos em profundidade superior a 5mm. O diagnóstico baseia-se na anamnese detalhada e exames de imagem especializados (USG com preparo ou RM). O tratamento deve ser individualizado: pacientes com dor e sem desejo imediato de gestação podem iniciar terapia hormonal (progestagênios, análogos de GnRH ou DIU de levonorgestrel). É crucial orientar que o tratamento clínico suspende a menstruação e a dor, mas não elimina os focos da doença nem melhora a taxa de fertilidade natural. Para pacientes que desejam engravidar, a conduta pode envolver a suspensão do tratamento hormonal para tentativa natural, cirurgia para restauração da anatomia pélvica ou técnicas de reprodução assistida, dependendo da reserva ovariana e outros fatores associados.
A cirurgia para endometriose intestinal está indicada principalmente em casos de sintomas álgicos refratários ao tratamento clínico, sinais de suboclusão ou obstrução intestinal (estenose significativa), ou comprometimento ureteral. A simples presença de um nódulo infiltrativo na camada muscular, sem repercussão funcional ou clínica grave, não é uma indicação cirúrgica absoluta, permitindo-se a tentativa de manejo hormonal inicial para controle da dor e melhora da qualidade de vida antes de procedimentos invasivos.
O CA-125 é um marcador tumoral com baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de endometriose. Embora possa estar elevado em casos de doença avançada ou endometriomas, ele não deve ser utilizado como critério isolado para decidir entre tratamento clínico ou cirúrgico. Sua principal utilidade clínica, embora limitada, reside no acompanhamento pós-operatório ou na avaliação de recidivas em pacientes que já tinham o marcador elevado previamente, mas nunca como substituto de exames de imagem especializados.
Ambos os exames apresentam alta acurácia quando realizados por profissionais especializados. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é frequentemente considerada superior ou equivalente à Ressonância Magnética para a detecção de lesões no retossigmoide e fórnice vaginal, devido à possibilidade de avaliação dinâmica e maior resolução para camadas da parede intestinal. A escolha depende da disponibilidade local e, principalmente, da experiência do radiologista ou ecografista no mapeamento da doença.
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