UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
A.M.D.A, 31 anos, casada, com tentativa de engravidar há 3 anos sem sucesso, não apresenta qualquer sintomatologia associada com endometriose. Realizou investigação básica para infertilidade, sem achados importantes, histerosalpingografia normal, fluxo menstrual com duração, quantidade e intervalos regulares. Ao exame físico, presença de nodulação endurecida em região retrouterina e fundo de saco, doloroso à palpação (ponto em gatilho), e útero com mobilidade reduzida. Em relação ao caso, qual exame solicitar para progredir na investigação do nódulo?
Infertilidade + nódulo retrouterino doloroso → suspeitar endometriose profunda → RM pelve.
A paciente apresenta infertilidade e achados sugestivos de endometriose profunda ao exame físico (nódulo retrouterino doloroso, útero com mobilidade reduzida), mesmo sem sintomas clássicos de dor. A ressonância magnética da pelve é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão e profundidade das lesões de endometriose, especialmente em locais complexos como o fundo de saco e ligamentos uterossacros.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Embora classicamente associada à dor pélvica crônica, dismenorreia e dispareunia profunda, a infertilidade pode ser a única ou a principal queixa, mesmo na ausência de sintomas dolorosos marcantes. A investigação de infertilidade deve sempre considerar a endometriose como uma causa potencial. No caso apresentado, a paciente com infertilidade inexplicada e achados ao exame físico de nodulação retrouterina dolorosa e útero com mobilidade reduzida, aponta fortemente para endometriose profunda. A endometriose profunda é definida pela infiltração do tecido endometrial em profundidade maior que 5 mm abaixo do peritônio. O diagnóstico definitivo é histopatológico, mas exames de imagem são cruciais para o planejamento terapêutico. A ressonância magnética (RM) da pelve é considerada o padrão ouro não invasivo para o diagnóstico e estadiamento da endometriose profunda. Ela permite uma avaliação detalhada das lesões, sua localização, tamanho e profundidade de infiltração, especialmente em sítios complexos como o septo retovaginal, ligamentos uterossacros, intestino e bexiga. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, quando realizada por um profissional experiente, também é uma excelente ferramenta diagnóstica. O CA 125, embora possa estar elevado na endometriose, é um marcador inespecífico e não é recomendado para diagnóstico ou rastreamento.
Achados como infertilidade inexplicada, nodulação endurecida e dolorosa à palpação em região retrouterina ou fundo de saco, e útero com mobilidade reduzida ao exame físico são altamente sugestivos de endometriose profunda.
A RM da pelve oferece excelente resolução de contraste dos tecidos moles, permitindo a detecção e caracterização precisa de lesões de endometriose profunda, especialmente em locais como ligamentos uterossacros, septo retovaginal e fundo de saco, que são difíceis de avaliar por outros métodos.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, realizada por um examinador experiente, é uma ferramenta valiosa e de primeira linha para o rastreamento e diagnóstico da endometriose profunda, podendo complementar ou, em alguns casos, substituir a RM, dependendo da disponibilidade e expertise.
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