UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Paciente de 40 anos, no momento assintomática e sem nenhuma alteração e queixa clínica, apresenta alteração em exame ecográfico endovaginal de rotina. Paciente refere menarca aos 12 anos e sempre apresentou dismenorreia moderada associada à dispareunia de profundidade e ciclos menstruais eumenorreicos, porém há 06 meses refere melhora dos sintomas, após o médico do PSF prescrever contraceptivo hormonal combinado contínuo. Para complementação ao exame, foi solicitado nova ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal, que apresentou: útero homogêneo, retroversofletido com volume 90 cm³, linha endometrial centrada 2 mm, ovário direito de 5 cm³ e ovário esquerdo 6 cm³; lesão hipoecoide retrouterina aderido a camada da submucosa da alça de retosigmoide de comprimento de 4 cm e comprometendo 40% da mesma. De acordo com o que foi apresentado do caso clínico, a hipótese diagnóstica e conduta mais adequada será:
Endometriose profunda com paciente assintomática sob ACO contínuo → manter tratamento clínico, cirurgia não é primeira linha.
A endometriose profunda é caracterizada pela infiltração de tecido endometrial em profundidade (>5mm) em órgãos como o intestino. Embora a imagem mostre uma lesão significativa, a paciente está assintomática com o uso de contraceptivo hormonal combinado contínuo, que é uma conduta eficaz para controlar os sintomas e a progressão da doença. A cirurgia, especialmente a retossigmoidectomia, é reservada para casos refratários ao tratamento clínico ou com sintomas obstrutivos.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando uma reação inflamatória. A endometriose profunda é uma forma mais grave, onde as lesões infiltram mais de 5 mm na superfície peritoneal, podendo acometer órgãos como intestino, bexiga e ureteres. Os sintomas clássicos incluem dismenorreia, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e infertilidade, mas a apresentação pode variar. O diagnóstico da endometriose profunda é feito pela combinação de história clínica, exame físico e exames de imagem, como a ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética pélvica. Esses exames permitem identificar e mapear as lesões, avaliando sua extensão e o comprometimento de órgãos adjacentes. É crucial diferenciar de outras condições que causam dor pélvica. O tratamento da endometriose é individualizado e pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico, frequentemente com contraceptivos hormonais combinados contínuos ou progestágenos, visa suprimir o crescimento do tecido endometrial e controlar a dor. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento clínico, sintomas graves, complicações (como obstrução intestinal) ou infertilidade. Em pacientes assintomáticas e bem controladas com terapia hormonal, a manutenção do tratamento clínico é a conduta mais adequada, mesmo na presença de lesões profundas.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia intensa, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica, infertilidade e sintomas relacionados ao órgão afetado, como disquesia e sangramento retal cíclico na endometriose intestinal.
A ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal é um exame de imagem de alta sensibilidade e especificidade para identificar nódulos de endometriose profunda, especialmente no septo retovaginal e intestino, permitindo avaliar a extensão e profundidade das lesões.
A cirurgia é indicada para endometriose profunda intestinal quando há falha do tratamento clínico em controlar os sintomas, presença de sintomas obstrutivos significativos, ou em casos de infertilidade associada onde a cirurgia pode melhorar as chances de concepção.
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