Endometriose Profunda: Diagnóstico e Infertilidade

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Paciente 26 anos, nuligesta, refere ciclos menstruais regulares com dismenorreia, dor pélvica crônica progressiva desde menarca, além de dispareunia. Deseja engravidar mas está há dois anos sem métodos contraceptivos e não consegue. Realizou espermograma do companheiro que foi normal, Ao exame físico, encontra-se dor e espessamento bilateral em ligamentos úterossacrais e nodularidade dolorosa em fundo de saco vaginal. Fez ultrassonografia pélvica transvaginal compatível com ovários aumentados de volume bilaterais, imóveis, centralizados e posteriorizados. Qual a principal hipótese diagnóstica mais provável para o fator causal dessa infertilidade primária.

Alternativas

  1. A) Endometriose profunda.
  2. B) Falência ovaríana prematura.
  3. C) Sequela de Doença Inflamatória pélvica.
  4. D) Anovulação crônica por Síndrome de Ovários Policísticos.

Pérola Clínica

Dismenorreia + dor pélvica crônica + dispareunia + infertilidade + nodularidade em ligamentos uterossacrais → Endometriose profunda.

Resumo-Chave

A endometriose profunda é uma causa comum de dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. Os achados no exame físico, como nodularidade e espessamento dos ligamentos uterossacrais, e na ultrassonografia, como ovários imóveis e posteriorizados, são altamente sugestivos dessa condição.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A endometriose profunda é uma forma mais grave da doença, onde as lesões penetram mais de 5 mm na superfície peritoneal, frequentemente acometendo ligamentos uterossacrais, septo retovaginal, intestino e bexiga. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia incapacitante, dispareunia e infertilidade. O diagnóstico de endometriose profunda é frequentemente desafiador e atrasado. A história clínica é fundamental, com a paciente relatando a tríade clássica de dismenorreia, dor pélvica crônica e dispareunia, muitas vezes associada à infertilidade primária. O exame físico ginecológico é crucial: a palpação de nodularidade, espessamento e dor nos ligamentos uterossacrais, bem como a fixação e posteriorização dos ovários e útero, são achados altamente sugestivos. A ultrassonografia pélvica transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética são exames de imagem importantes para mapear as lesões e confirmar a extensão da doença. O manejo da endometriose profunda é complexo e individualizado, podendo envolver tratamento medicamentoso para controle da dor e progressão da doença, e tratamento cirúrgico para remoção das lesões, especialmente em casos de infertilidade ou dor refratária. O reconhecimento precoce dos sintomas e sinais é vital para um diagnóstico e tratamento adequados, melhorando a qualidade de vida e as chances de gravidez para essas pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da endometriose profunda?

Os principais sintomas da endometriose profunda incluem dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia de profundidade, sintomas intestinais ou urinários cíclicos (se houver acometimento de bexiga ou intestino) e infertilidade.

Como o exame físico pode auxiliar no diagnóstico de endometriose profunda?

No exame físico ginecológico, a endometriose profunda pode ser sugerida pela presença de dor à palpação, espessamento ou nodularidade nos ligamentos uterossacrais, dor à mobilização do colo uterino e, em casos avançados, nodularidade dolorosa no fundo de saco vaginal ou septo retovaginal.

Por que a endometriose causa infertilidade?

A endometriose pode causar infertilidade por diversos mecanismos, incluindo distorção da anatomia pélvica (aderências), obstrução tubária, inflamação crônica no peritônio que afeta a função ovariana e tubária, e alterações na qualidade dos óvulos e na receptividade endometrial.

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