FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Paciente procura assistência médica com queixa de dor pélvica. Refere que a data da última menstruação foi há 3 dias. Foi operada há 3 anos por prenhez ectópica e desde então não utiliza métodos anticoncepcionais. Ao exame ginecológico verificamos: útero em retro verso flexão fixa e doloroso à mobilização, fundo de saco vaginal com nodulações e ovários não palpáveis. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor pélvica crônica + útero retrovertido fixo + nodulações em fundo de saco → forte suspeita de endometriose profunda.
A endometriose profunda pode causar dor pélvica crônica e alterações significativas ao exame ginecológico, como útero fixo e nodulações, devido à fibrose e aderências. O histórico de prenhez ectópica pode ser um fator de risco ou consequência de doença pélvica prévia, reforçando a suspeita.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A dor pélvica crônica é o sintoma mais comum e impactante, sendo crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com histórico de dor pélvica progressiva e infertilidade. A fisiopatologia envolve inflamação, formação de aderências e fibrose, que podem levar a alterações anatômicas significativas, como o útero fixo e as nodulações no fundo de saco. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, sendo a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica exames complementares importantes para mapear a extensão da doença. A laparoscopia com biópsia é o padrão-ouro para confirmação histopatológica. O tratamento da endometriose é individualizado e pode incluir analgésicos, terapia hormonal para suprimir o crescimento do tecido endometrial, e cirurgia para remover as lesões e restaurar a anatomia pélvica. O prognóstico varia, mas o manejo multidisciplinar é essencial para melhorar a qualidade de vida e a fertilidade das pacientes. Residentes devem estar atentos à complexidade da doença e à necessidade de uma abordagem abrangente.
Os principais sintomas incluem dor pélvica crônica, dismenorreia intensa, dispareunia profunda, dor ao evacuar (disquezia) e dor ao urinar (disúria), além de infertilidade.
O exame ginecológico pode revelar útero em retroversoflexão fixa e doloroso à mobilização, nodulações ou espessamento no fundo de saco vaginal e ligamentos uterossacros, e ovários aumentados ou fixos, sugerindo endometriomas ou aderências.
A endometriose pode aumentar o risco de prenhez ectópica devido a alterações na anatomia tubária e na função ciliar, causadas por aderências e inflamação crônica. Ambas as condições compartilham fatores de risco e podem indicar doença pélvica subjacente.
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